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Violas contra adiamento da AG do BPI

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Prossegue a batalha que opõe o grupo português Violas Ferreira e o espanhol CaixaBank. A Assembleia Geral Extraordinária do BPI foi suspensa de novo. A OPA do espanhol sobre o BPI continua no limbo.

"É o último adiamento possível". É assim que Tiago Violas, do maior acionista português do BPI, o grupo Violas Ferreira, encara o resultado da Assembleia Geral Extraordinária do Banco BPI que teve lugar hoje. A reunião foi adiada por duas semanas por proposta do CaixaBank, principal acionista do BPI, que tem pendente uma Oferta Pública de Aquisição sobre o banco.

"Estamos contra o adiamento", aponta Tiago Violas que considera "um desrespeito" um acionista fazer uma proposta e esta não poder ser votada pelos acionistas. Na ordem de trabalhos da AG de hoje estava na mesa para votação duas propostas relativas à desblindagem de estatutos.

Uma da administração do BPI que necessitava apenas de dois terços do capital para ser aprovada, sendo que os acionistas poderiam votar com a totalidade dos votos relativos ao capital detido (no caso do CaixaBank poderia votar com 45% dos direitos de voto). Isto porque, sendo uma proposta da própria administração enquadra-se no novo diploma aprovado pelo Governo, que cabe como uma luva no caso do BPI.

Quanto à proposta da Holding Violas Ferreira, a desblindagem de estatutos necessitava de 75% do capital e os acionistas apenas poderiam votar com o limite dos direitos de voto de 20% patentes nos estatutos do BPI. A AG de hoje era a continuação da AG de 22 de julho.

CaixaBank explica

Segundo o banco espanhol, o adiamento prende-se com a necessidade aguardar pelas decisões judiciais sobre as duas providências cautelares que o grupo Violas interpôs, relativamente à nova mesa da AG do BPI e à alteração do limite de votos no BPI na AG anterior.

Mas 15 dias e não 30 ou 40 porquê? Na prática, porque se demorasse mais tempo, teria de ser convocada nova AGE. Depois, porque o Banco Central Europeu deu quatro meses a CaixaBank para resolver a questão da redução da exposição do BPI a Angola (onde controla o BFA).

A angolana Santoro, de Isabel dos Santos, absteve-se nesta AG desta terça-feira onde estiveram presentes ou representados 499 acionistas do BPI, detentores de 88,4% do capital social do banco.

O BPI fechou a cair 1,38% para 1,07 euros. O banco catalão oferece 1,113 euros por ação na OPA.

A desblindagem de estatutos é uma condição para a OPA avançar. Acionistas minoritários consideram pouco. No dia 21 de setembro, data da continua da AGE, o BPI terá um dia decisivo que poderá acabar por ser histórico.