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Venha provar vinho do Porto. O computador vai dizer qual é o seu preferido

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Uma garrafa insuflável de cinco metros será, durante dois dias, o palco da nova experiência neuro sensorial na Zona Ribeirinha de Gaia

O desafio pode ser tentador. Basta entrar numa garrafa gigante, insuflável, colocar à volta da cabeça uma banda ligada a um computador e estar disponível para fazer uma prova cega de três vinhos do Porto (branco, rubi e tawny). No final, nem é preciso falar para dizer qual é o preferido.

Esse trabalho fica por conta da tecnologia de neuromarketing que “regista a forma como o cérebro reage a cada estilo de vinho e transmite os resultado na própria garrafa, através de animações com cores, sons e imagens que refletem as diferentes notas de prova”, explica Maria Emília Campos, presidente executiva da Churchill´s, a casa de vinho do Porto que decidiu sair das suas caves, em Gaia, e arriscar esta experiência inovadora quinta e sexta-feira próximas, na Zona Ribeirinha de Gaia.

No centro de visitas da empresa, fundada por John Graham, em 1981, para manter a ligação histórica da família à atividade, passam cinco mil visitantes por ano para as provas tradicionais. Mas a primeira empresa de Vinho do Porto criada nos últimos 50 anos quer usar “a sua juventude” como trunfo na estratégia de marketing da marca e mostrar que mesmo num produto com a tradição do vinho do Porto “é possível ousar, ser interativo e conquistar a malta jovem”, diz a gestora.

Para isso, para obrigar a repensar o vinho do Porto, trabalhou com a empresa Asteroid no desenvolvimento da campanha “Rethink Port Wine” que arranca em cima das celebrações do dia do vinho do Porto, celebrado a 10 de setembro, mas com um programa que abarca toda a semana. Formatada para se desenrolar durante um ano em Portugal, mas também no Reino Unido, no Brasil e Estados Unidos, num investimento de €100 mil, a campanha conta com um financiamento de fundos comunitários, no âmbito do Portugal 2020.

A ideia base, neste caso, é fazer a garrafa brilhar mais no vinho preferido de cada um e definir a escolha certa até dos provadores mais indecisos com o apoio da Muarts, uma start-up portuguesa que liga a tecnologia aplicada à neurologia, marketing, publicidade, design de comunicação e prototipagem, e da Hand-Coded, especializada em criar experiências com o utilizador em tempo real.

Em 2015, a Churchill´s teve um volume de negócios de €2,1 milhões e, este ano, prevê crescer 20%, tendo definido como objetivo chegar a 2020 com €3,5 milhões. Oitenta por cento das vendas destinam-se à exportação, com destaque para Inglaterra, Brasil, Estados Unidos e Suécia.