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Herdade da Comporta (de novo) à venda

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Luis Barra

Herdade avaliada em 420 milhões. Colocação arranca em outubro

O terreno é tão grande que parece um território. Se fosse, seria o território Espírito Santo. Não apenas por ser propriedade da família, mas pela própria vivência assídua de familiares. Mas a Herdade da Comporta saiu do controlo da família quando o Grupo Espírito Santo colapsou. Hoje, faz parte dos ativos da RioForte que serão vendidos para pagar a credores. Depois de uma tentiva falhada, o processo avança agora de novo: será colocado em mercado internacional entre a última quinzena de setembro e a primeira de outubro.

Os tribunais já autorizaram o processo de venda, sabe o Expresso, assim desimpedindo a razão que antes travou a operação: o arresto de bens da família. Com a autorização do tribunal, os potenciais compradores têm a segurança de que não há riscos legais de permeio. O negócio pode concretizar-se.

Foi esta decisão que permitiu avançar agora com o processo. Segundo fontes de mercado, os assessores estão contratados, sob liderança da Haitong, banco de investimento que já está a recuperar a carteira de potenciais interessados que foi contactada no passado, com apresentação de propostas que acabaram por não ser consideradas, por inviabilização da operação.

Foi já colocado em marcha o processo de escolha de um intermediário imobiliário internacional, tendo a CBRE já feito uma avaliação da Herdade que, segundo as mesmas fontes, rondará os 420 milhões de euros. Seja qual for o valor do negócio, será preciso descontar ao seu valor as dívidas do fundo e da própria Herdade, que rondam os 130 milhões de euros.

Embora o vendedor seja formalmente a RioForte, é o tribunal do Luxemburgo que gere o processo, pois aí se centra a gestão da “massa falida”.

Segunda tentativa

Não é primeira vez que a Herdade da Comporta está à venda, e no passado houve até já interessados: os norte-americanos Asher Edelman e de David Storper, da gestora de ‘private equity’ Armory Merchant.

O negócio acabou por não avançar. Na altura, o negócio envolvia perto de 300 milhões de euros, mais 100 milhões para investimento: 100 milhões de euros por duas unidades da Comporta, mobilizavam mais 200 milhões para assumir a dívida das mesmas e outros 100 milhões para relançar a atividade da empresa agrícola e do fundo que gere o projeto turístico.

O arresto de bens acabou por travar a operação. Em maio de 2015, o Ministério Público de Portugal arrestou o património imobiliário de vários membros da família Espírito Santo e da Herdade da Comporta, um activo que está nas mãos da Rioforte. Foi a Haitong (ex-BESI) e a sociedade de advogados PLMJ que estiveram envolvidas na primeira tentativa de venda.

A Caixa Geral de Depósitos é o maior credor da Herdade da Comporta, com um crédito de 106 milhões de euros. Os ativos da Comporta estão avaliados, admite-se, em cerca de 420 milhões de euros e o crédito da CGD, concedido quando Ricardo Salgado liderava o GES, tem garantias no valor de 256 milhões de euros.

Quando o BES e o Grupo Espírito Santo entraram em colapso, no verão de 2014, a Herdade da Comporta foi uma das vítimas. Situada nos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola, a Herdade da Comporta, historicamente uma das jóias da coroa da família Espírito Santo, é considerada a maior propriedade privada em Portugal. Tem 12,5 mil hectares de terrenos, dos quais cerca de dez mil hectares são agrícolas e florestais. O resto está dedicado a projectos de desenvolvimento turístico e imobiliário.

Foi em 1955 que a Manuel Espírito Santo se interessou pela Herdade da Comporta, e a comprou à britânica Atlantic Company. Em 1974, a propriedade foi nacionalizada. Voltou às mãos da família no final dos anos 80.