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Como o Fonte Nova combate o gigante Colombo

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Helda Silva é diretora do centro comercial Fonte Nova há 18 anos

António Bernardo

Centro comercial passou por uma reorganização do seu espaço e entrou numa nova etapa da sua existência

Marisa Antunes

Jornalista

Está entre os centros comerciais mais resistentes da capital, enfrentando tudo — dos concorrentes desiguais à crise económica que levou ao encerramento de algumas lojas. Agora, o Fonte Nova, localizado em Benfica, entrou numa nova fase dos seus 31 anos de existência.

A sua recente revitalização implicou a substituição das três salas de cinema por um ginásio Fitness Hut e o Pingo Doce, uma das principais âncoras, triplicou o seu espaço, para 1000 m2. Também o muito disputado parque gratuito de estacionamento público exterior passou a ser complementado por 90 lugares de uso exclusivo dos clientes, no parque subterrâneo do Fonte Nova, uma área até então usada para logística e que passou agora a ter uso público para os visitantes, numa intervenção também integrada no recente investimento de €2 milhões assegurado pela Cimobin — Companhia Imobiliária e de Investimentos, proprietária do espaço.

“Neste momento temos 67 lojas. Chegámos a ter 97 mas ao longo dos tempos elas foram-se redimensionando, acompanhando as tendências atuais de lojas de maior dimensão. No atual processo de reestruturação, só o Pingo Doce foi buscar uma área de mais 700 m2 do que aquela que tinha inicialmente. A taxa de ocupação neste momento é de 98% e a expectativa é chegar ao final do ano com 100% pois temos negociações em curso”, diz Helda Silva, há 26 anos ligada à Cimobim e há 18 como diretora do Fonte Nova.

Entre as novas entradas em 2016 contam-se mais uma loja da Padaria Portuguesa, o já referido Fitness Hut (que ocupou as três salas cinema e uma parte da área comum, num total de 1700 m2), a Well’s (só a farmácia, sem a ótica) e a Mister Pizza.

Uma carteira de lojas entre novas e as que há muito fazem parte do roteiro de compras dos consumidores que conquistaram o seu espaço, sem entrar em confronto direto com o gigante centro comercial Colombo, logo ali ao lado.

“Desde março de 1985, altura em que o Fonte Nova foi inaugurado, percebemos que nos tínhamos de direcionar em função do nosso público-alvo e nunca entrar numa competição com o Colombo, o que seria desde logo impossível em termos de espaço. Assim, tentámos desde cedo perceber quem era o nosso cliente fidelizado, aquele que não queríamos de todo perder, aquele que sabemos à partida que preferirá sempre um centro comercial mais pequeno, de proximidade, onde possa fazer uma compra rápida e sair”, refere a diretora, salientando “a história da ligação emocional que os clientes têm com o centro”.

Estacionamento 
vai ser praça

Moradores e pessoas que trabalham nas freguesias próximas como Benfica, São Domingos de Benfica, Carnide e Laranjeiras, constituem o grupo de clientes fidelizado do espaço comercial.

E em breve, estes visitantes poderão usufruir de um espaço renovado também na área envolvente. O parque exterior, com uma capacidade atual para 500 lugares, vai ser completamente reestruturado.

“Este parque é uma bolsa de estacionamento gigante mas os clientes do Fonte Nova têm muita dificuldade em ter estacionamento aqui... Por ser um dos poucos parques não pagos em Lisboa, durante a semana as pessoas deixam o carro às 8h da manhã e vêm buscá-lo às 19h ou 20h. Para os nossos clientes era um problema estacionar por isso se investiu no parque privado. Mas toda esta zona vai mudar”.

A zona de estacionamento exterior está incluída no projeto da Câmara Municipal de Lisboa “Uma praça em cada bairro” e vai ser reduzida para cerca de um terço, ficando com 200 ou 250 lugares, refere ainda Helda Silva. “A praça do estacionamento vai ser toda remodelada e penso que irá ficar muito bonita, com uma fonte e zonas pedonais, o que será ainda mais apelativo para o nosso espaço”.