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“Portugal estabeleceu condições para o crescimento”

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Mohamed El-Erian, Consultor económico da Allianz

Lucy Nicholson / Reuters

Mais três anos e acaba o estranho mundo financeiro em que vivemos. As economias desenvolvidas caminham rapidamente em direção a uma bifurcação. Cabe aos políticos decidir para onde viramos, se para a direita se para a esquerda. Direita e esquerda, nas palavras do guru financeiro Mohamed El-Erian, 58 anos, não são ditas no sentido convencional da política. Os mais poderosos bancos centrais, de Washington a Londres, Frankfurt ou Tóquio, estão prestes a esgotar a eficácia do seu arsenal e o seu papel, explica ao Expresso o atual principal consultor económico da gigante seguradora alemã, Allianz. O futuro está na mão dos políticos eleitos e não dos banqueiros centrais, eis a principal mensagem da antiga ‘estrela’ da gestora de fundos PIMCO, no livro “A única solução: bancos centrais, instabilidade e como evitar o próximo colapso”, que acaba de ser publicado em Portugal e que motivou esta entrevista realizada por correio eletrónico

Quanto tempo mais poderá durar este novo mundo de taxas de juro negativas impostas por alguns bancos centrais?

É difícil dizê-lo com grande rigor, dado que navegamos em águas desconhecidas. Dito isto, e apesar de eu ter sido, desde 2009, um proponente do conceito “novo normal”, tenho a impressão que este mundo financeiro fora do comum em que vivemos acabará nos próximos três anos. A grande questão que me ocorre é se a transição subsequente vai ser ordenada ou desordenada.


Por que razão vê esse fim tão próximo?

Dito de um modo simples, as economias de mercado modernas não estão construídas para funcionar por muito tempo com taxas negativas. Os benefícios para o crescimento são limitados enquanto os danos colaterais e as consequências inesperadas aumentam. Já estamos a ver tensões e contradições crescentes, com os efeitos desfavoráveis a estenderem-se para lá da economia e das finanças até ao terreno político.

E está otimista ou pessimista em relação à transição que prevê?

Como detalho neste meu mais recente livro, acho que o mundo ocidental está a caminhar para uma bifurcação. A atual estrada, que envolveu uma dependência excessiva dos bancos centrais, vai terminar. Uma das vias na bifurcação implica crescimento mais elevado e mais inclusivo e uma estabilidade financeira genuína. A outra traz recessões e uma instabilidade financeira assustadora.

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