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À espera da Moody’s, juros da dívida em baixa

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos estão em baixa esta sexta-feira ao princípio da tarde, mas mantêm-se ligeiramente acima de 3%. A agência de notação Moody’s analisa hoje o rating da dívida portuguesa após o fecho dos mercados financeiros na Europa. A expetativa dos analistas centra-se em saber se a perspetiva “estável” se mantém

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações de Tesouro (OT) no prazo de referência a 10 anos mantêm-se ligeiramente acima de 3%, com trajetória descendente esta sexta-feira ao início da tarde no mercado secundário da dívida. Depois de terem fechado em 3,04% ontem, as yields desceram pelas 13h30 para 3,01%, segundo dados da Bloomberg. Depois de uma descida no segundo semestre para 2,7% a 15 de agosto, as yields têm estado em trajetória ascendente, ultrapassando a barreira dos 3% quatro sessões depois.

Portugal colocou dívida obrigacionista esta semana através de dois leilões do IGCP pagando 3,027% a 10 anos e 1,87% a 5 anos, no primeiro caso abaixo e no segundo ligeiramente acima das taxas registadas nos leilões similares anteriores, realizados em junho e julho. A procura subiu em relação à verificada nos leilões anteriores similares.

A agência de notação Moody’s analisa hoje o rating de Portugal comunicando a sua decisão após o fecho da sessão dos mercados financeiros na Europa.

Esta agência classifica a dívida de longo prazo portuguesa como especulativa (vulgo “lixo financeiro”) atribuindo-lhe uma notação de Ba1, o rating especulativo mais próximo do grau de investimento (ou seja, de saída de ‘lixo financeiro’). E atribui-lhe uma perspetiva “estável”. Esta notação foi estabelecida em julho de 2014.

Na última revisão da notação, em maio, a Moody’s decidiu não mexer na notação e na perspetiva. A expetativa dos analistas sobre a revisão de hoje é saber se a perspetiva se mantém “estável” ou se é alterada, sendo colocada em revisão, com possibilidade de passar a negativa. Uma alteração negativa coloca pressão adicional sobre a dívida portuguesa. Mesmo comentários negativos sobre a evolução do défice orçamental ou da dívida portuguesa (que atingiu um novo máximo histórico em junho, subindo para 131,9% do PIB, e que aumentou mais 800 milhões de euros em julho) e sobre o andamento da economia (com a taxa de crescimento anual em volume do PIB revista em alta para 0,9% no final do segundo trimestre e a taxa de crescimento nominal em desaceleração de 3,4% nos primeiros três meses para 2,6% no trimestre que findou em junho) poderão gerar stresse adicional.

O que já foi designado por “stresse do rating” tem colocado a dívida portuguesa sob pressão, desde que se desencadeou especulação sobre a possibilidade da agência DBRS poder alterar a notação de investimento que ainda atribui a Portugal. A agência canadiana avaliará a situação a 21 de outubro. A classificação da DBRS é crítica por ser a única das quatro agências de rating reconhecidas pelo Banco Central Europeu que tem garantido à dívida portuguesa um grau de investimento - notação BBB baixa com perspetiva estável - que permite a sua elegibilidade como colateral para o financiamento bancário e como títulos para aquisição no mercado secundário pelo programa lançado por Mario Draghi em março de 2015.

A Standard & Poor’s analisa a notação portuguesa a 16 de setembro. A S&P atribui um rating similar ao atribuído pela Moody's.