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Portugal coloca €1000 milhões pagando menos a 10 anos e mais a 5 anos

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O presidente do IGCP não teme qualquer pressão eventual da banca que leve ao fim deste produto

Rui Ochôa

O IGCP acaba de colocar €450 milhões a 5 anos e €550 milhões a 10 anos pagando uma taxa ligeiramente superior à emissão anterior no prazo mais baixo e inferior à emissão anterior no prazo mais longo. Rácio de procura em relação à colocação sobe nos dois leilões desta quarta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal colocou esta quarta-feira 1000 milhões de euros em dois leilões de dívida obrigacionista, registando uma subida na procura em relação às operações similares anteriores.

No prazo a 5 anos, pagou uma taxa de colocação de 1,87%, ligeiramente acima de 1,843%, verificada no leilão similar anterior em 8 de junho, quando pagou 1,843%. No prazo a 10 anos, pagou 3,027%, abaixo de 3,093%, registada no leilão similar anterior em 13 de julho.

O rácio da procura em relação à colocação subiu para 2,15 a 5 anos e 1,72 a 10 anos, comparando favoravelmente com os rácios registados em junho e julho, de 1,98 a 5 anos e 1,49 a 10 anos.

As taxas de colocação nos dois leilões ficaram próximas das yields registadas no mercado secundário à mesma hora, ligeiramente abaixo no caso do prazo a 5 anos e idêntica para o prazo a 10 anos. Depois de uma subida das yields nos dois prazos até pouco antes do início dos leilões, a trajetória inverteu-se no mercado secundário.

"Apesar de o risco Portugal ter subido um pouco na dívida de longo prazo não se notou qualquer impacto. As taxas mantiveram-se muito próximas das últimas taxas comparáveis, há alguns meses. Os leilões decorreram com normalidade, em linha com as taxas que já estavam a ser praticadas no mercado. O Tesouro português conseguiu angariar os mil milhões de euros que tinha como objetivo máximo. Face aos últimos leilões, a procura até subiu ligeiramente”, segundo Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

No prazo de referência, a 10 anos, as taxas de colocação têm-se mantido no patamar dos 3% nos vários leilões já realizados em 2016 em contraste com as taxas no patamar de 2% pagas nas cinco operações de 2015. Portugal pagou um mínimo histórico de 2,04% no leilão de 25 de fevereiro do ano passado. A taxa mais elevada paga no ano em curso pelo IGCP, naquele prazo, registou-se no leilão de 11 de maio, quando subiu para 3,252%. A 5 anos, a taxa mais elevada paga este ano pela Agência registou-se no leilão de 9 de março, subindo para 2,0326%. A 23 de março, 8 de junho e 31 de agosto desceu para o patamar dos 1,8%.

Espanha e Itália financiam-se mais barato em quase 2 pontos percentuais

O custo do financiamento da dívida portuguesa de médio e longo prazo continua a ser muito superior ao verificado para Espanha e Itália.

A diferença a 5 e 10 anos é de quase 2 pontos percentuais, tomando em conta os últimos leilões similares realizados em julho e agosto pelos Tesouros daqueles dois países também membros do euro.

No prazo a 5 anos, Espanha pagou uma taxa de 0,168% a 4 de agosto e Itália pagou ontem 0,19%. A 10 anos, o Tesouro espanhol pagou 1,061% a 7 de julho e o italiano pagou 1,14% ontem.

  • No mercado secundário os juros das Obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos sobem ligeiramente esta quarta-feira em relação ao fecho do dia anterior. Em dia de leilão de dívida naqueles prazos, as yields estão acima da taxa paga a 5 anos e abaixo da taxa paga a 10 anos nos últimos leilões similares em junho e julho