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Mercados acham que a Fed vai subir os juros e Wall Street fecha no vermelho

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A presidente do banco central norte-americano disse em Jackson Hole que se fortaleceu a probabilidade de um aumento das taxas de juro e uma maioria dos outros membros do Comité que toma essa decisão reforçou a intenção. Bolsas de Nova Iorque são as únicas a registar perdas em agosto

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados de futuros das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, dão, agora, uma probabilidade de 58% a uma subida da taxa diretora na reunião de 13 e 14 de dezembro próximo e de 62,4% na reunião de 31 de janeiro e 1 de fevereiro do ano seguinte.

Uma surpresa já na próxima reunião de 20 e 21 de setembro sempre pode ocorrer ainda que a probabilidade se situe em 36%. Muitos analistas duvidam que a Fed queira dar esse passo a poucos dias do primeiro debate presidencial entre os dois candidatos Hillary Clinton e Donald Trump que ocorrerá a 26 de setembro. Em virtude de se realizarem eleições presidenciais a 8 de novembro, com um resultado ainda incerto, uma tal decisão na reunião de 1 e 2 de novembro parece, também, politicamente improvável.

“O caso a favor de uma subida fortaleceu-se em meses mais recentes” foi a declaração-chave de Janet Yellen, a presidente da Fed, na abertura do simpósio de Jackson Hole na sexta-feira, uma espécie de ‘Davos’ anual dos banqueiros centrais de todo o mundo numa estância turística de montanha no meio dos Estados Unidos em agosto. Os analistas ‘leram’ aquela declaração como um sinal verde para a subida da taxa diretora de juros do mais importante banco central do mundo, ainda que sem calendário explícito adiantado. E com a cautela habitual da economista que lidera a Fed sublinhando que tudo depende, sempre, dos dados macroeconómicos que forem saindo, e que a política monetária não tem um curso pré-definido.

A indicação de Yellen foi reforçada por declarações no mesmo dia proferidas por Stanley Fisher, o número dois da Fed, James Bullard e Loretta J. Mester, que são membros do Comité de política monetária que toma as decisões sobre os juros. Na semana passada havia sido a vez do muito influente William O. Dudley, o presidente do Banco ‘regional’ da Reserva Federal de Nova Iorque e vice-presidente daquele comité, remar no mesmo sentido. No grupo de 10 que decide os juros, se juntarmos Esther L. George que há três reuniões vota isolada por uma subida, são cinco os banqueiros centrais – se excluirmos a presidente Yellen - que já se pronunciaram explicitamente que está na hora de um aumento das taxas para um intervalo superior ao atual (que foi fixado em 0,25% a 0,5% em dezembro do ano passado), indicando a necessidade de o fazer até final do ano.

Wall Street ‘leu’ as probabilidades altas de uma tal decisão ainda este ano e, depois de uma abertura em terreno positivo na sexta-feira, fechou no vermelho, com o conjunto das bolsas de Nova Iorque a perderem 0,16%, segundo o índice MSCI para os EUA. Foi a terceira sessão consecutiva no negativo durante a semana que findou. Nova Iorque surge como a única ‘região’ do mundo nos índices MSCI que regista uma perda, ainda que ligeira, desde início de agosto. O grupo dos mercados emergentes lidera o mês com um ganho de 3,2%, seguido da Ásia Pacífico com 1,4% e da Europa com 1,3%.

As declarações de Yellen foram muito posteriores ao fecho na Ásia Pacífico (que encerrou com uma perda de 0,44% na sexta-feira, com o índice Nikkei 225 de Tóquio a liderar com uma queda de 1,2%) e já proximo do encerramento na Europa (que registou um ganho de 0,5%). Os analistas aguardam, agora, a abertura na segunda-feira para avaliar do impacto global da indicação dada pela presidente da Fed.

Em setembro realizam-se reuniões de banqueiros centrais que poderão anunciar decisões de política monetária do Banco Central Europeu, logo no dia 8, do Banco de Inglaterra e do Banco Nacional da Suíça a 15, e do Banco do Japão e da Fed no dia 21.

  • Yellen esconde o jogo. Juros mais altos sim. Quando? Logo se vê

    Como é seu estilo, a líder do banco central norte-americano, Janet Yellen, deu uma no cravo e outra na ferradura na abertura, esta sexta-feira, do importante simpósio anual de Jackson Hole, nos EUA. Deixou em aberto a possibilidade de uma subida das taxas de juro, mas não deu indicações de qualquer calendário e sublinhou que “a política monetária não tem um curso pré-definido”