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Estados Unidos crescem menos do que Zona Euro

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A economia norte-americana cresceu 1,1% no segundo trimestre, uma revisão em baixa em relação à primeira estimativa. Acelerou ligeiramente em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas está longe do crescimento médio de mais de 2% dos três primeiros trimestres de 2015

Jorge Nascimento Rodrigues

A economia dos Estados Unidos cresceu 1,1% no segundo trimestre de 2016, uma décima menos do que a primeira estimativa divulgada no mês passado, mas, mesmo assim, acima das precisões mais pessimistas que apontavam para um crescimento abaixo de 1%. Trata-se de uma taxa anual, em termos homólogos, em relação ao trimestre similar do ano anterior. Fica abaixo da taxa de crescimento na Zona Euro que subiu para 1,6% e é muito inferior à do Reino Unido que se situa em 2,2%.

Esta segunda estimativa foi divulgada esta sexta-feira pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) e revela que a economia norte-americana acelerou ligeiramente no segundo trimestre em relação ao crescimento de 0,8% no trimestre anterior. Na estimativa rápida publicada em julho, o BEA apontava para uma taxa de 1,2% no segundo trimestre.

No entanto, os EUA ainda não regressaram à dinâmica de crescimento dos três primeiros trimestres de 2015, em que a taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) registou uma média de 2,2%. A economia norte-americana desacelerou significativamente no quarto trimestre do ano passado, registando uma taxa de 0,9%. E prosseguiu a desaceleração no primeiro trimestre de 2016.

Esta taxa fraca de crescimento é divulgada no dia em que a presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central norte-americano, abre o simpósio de Jackson Hole, uma espécie de ‘Davos’ dos banqueiros centrais naquela estância turística localizada no meio dos EUA. Janet Yellen irá falar daqui a uma hora sobre as “ferramentas” da política monetária de que dispõe a Fed, mas os analistas estarão atentos às palavras que venha eventualmente a proferir sobre a estratégia de subida das taxas de juro, procurando ‘sinais’ se a equipa da economista se decidirá por um aumento ainda até final do ano.

O quadro macroeconómico dos EUA é contraditório. O mercado de trabalho está praticamente em pleno emprego – o desemprego situa-se em 4,9% e o desemprego de longa duração em apenas 1,3% -, mas a produtividade laboral está em queda desde o terceiro trimestre do ano passado. O PIB cresceu, em termos reais, abaixo de 1% nos últimos três meses de 2015 e nos primeiros três meses de 2016, e regista apenas 1,1% no trimestre que findou em junho.

A terceira estimativa para o segundo trimestre só será conhecida a 29 de setembro, já depois da reunião da Reserva Federal, o banco central, no dia 21.

A inflação desceu para 0,8% em julho, depois de ter registado taxas de 1% em maio e junho e 1,1% em abril. A economia está a sofrer um processo de desinflação, que coloca a inflação registada longe da meta de 2% da política monetária. A inflação norte-americana é, contudo, muito mais elevada do que a da zona euro (0,2%) e do Reino Unido (0,6%) e distancia-se da deflação verificada no Japão (-0,4%), tomando por base os dados de julho.

Depois de ter fechado na quinta-feira no vermelho, Wall Street abriu hoje com ganhos. As bolsas americanas registam perdas em agosto, até à data. Yellen falará em Jackson Hole ainda antes do fecho de Wall Street.

  • Todos à espera do discurso da mais poderosa banqueira do mundo

    A presidente do banco central norte-americano fala esta sexta-feira num simpósio anual que já é considerado o “Davos” dos decisores da política monetária mundial. Os investidores e analistas financeiros estão suspensos à espera de saber se a Fed vai aumentar as taxas de juro ainda este ano. Os mercados de futuros duvidam