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Juros da dívida acima de 3,1%

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Prossegue a trajetória de subida dos juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário. Esta terça-feira, na abertura da sessão, o movimento ascendente regista-se em todos os periféricos, mas Portugal destaca-se

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos prosseguem esta terça-feira, na abertura da sessão, a trajetória ascendente que iniciaram a 16 de agosto, depois de um mínimo de 2,69% no dia 15, um nível tão baixo que já não se registava há sete meses. Pelas 10h15 (hora de Portugal) de hoje, as yields das OT a 10 anos subiram acima de 3,1%, um máximo do mês em curso, uma subida de cinco pontos base em relação ao fecho de ontem.

Esta terça-feira, o movimento ascendente estende-se a todos os periféricos da zona euro que não estão sob resgate, mas Portugal destaca-se na subida das yields. No prazo de referência, as yields subiram dois pontos base para as obrigações espanholas, quatro pontos base para as italianas, e três pontos base para as irlandesas. Na sessão de segunda-feira, a subida registou-se, apenas, no caso das OT, que passaram de 3,04% no fecho de sexta-feira passada para 3,07% no encerramento de ontem. As yields dos títulos espanhóis, irlandeses e italianos no prazo de referência desceram na segunda-feira.

As yields das OT no prazo de referência regressaram a níveis acima de 3% a 19 de agosto, na sexta-feira passada. Estiveram acima desse limiar quase ininterruptamente entre 5 de abril e 25 de julho, incluindo valores próximos de 3,5% aquando da crise do Brexit (tanto antes do referendo de 23 de junho como logo a seguir ao conhecimento do resultado). O máximo do ano registou-se a 11 de fevereiro fechando acima de 4% com o efeito conjugado do risco de Grexit e da reação internacional a uma decisão do Banco de Portugal sobre dívida sénior do Novo Banco que poderia ser considerada como tendo desencadeado um evento de crédito.

Prémio de risco e custo dos cds em alta

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu de 307 pontos base na sexta-feira passada para 315 pontos base no fecho de ontem e 319 pontos base pelas 10h15 desta terça-feira. Mantém-se acima do patamar dos 300 pontos base que equivalem a um diferencial de três pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã. O desnível em relação ao prémio de risco para Espanha, Irlanda e Itália é significativo; o risco subiu hoje de manhã para estes três países, mas está a distancia significativa do registado para Portugal. O risco é de 51 pontos base para a Irlanda, 104 pontos base para Espanha e 123 pontos base para Itália.

O preço dos credit default swaps (cds) para Portugal, o custo de segurar a dívida portuguesa a 5 anos contra o risco de incumprimento, subiu de 261 pontos base a 14 de agosto, antes das primeiras declarações da agência canadiana DBRS difundidas pela Reuters apontando para uma “pressão sobre a dívida portuguesa”, para 290 pontos base no final da semana passada e 295 pontos base no fecho desta segunda-feira. Nas últimas sete sessões, o preço dos cds já aumentou 34 pontos base.

A divulgação pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Banco de Portugal das estimativas dos indicadores macroeconómicos sobre Portugal para o primeiro semestre – apontando para a continuação da desaceleração económica e uma subida da dívida pública, ainda que com melhorias na posição de investimento internacional e na dívida externa líquida – consolidou nos analistas financeiros a perceção de que Portugal se acantonou num grupo de crescimento medíocre na zona euro e se separou do comportamento de outros periféricos, como Chipre, Espanha e Irlanda, como sublinhava ontem uma análise do banco alemão Berenberg, acentuando o “exemplo espanhol”, apesar deste país continuar sem governo e correr o risco de terceiras eleições legislativas sucessivas.

Nervosismo do rating

A revisão da notação da dívida portuguesa de longo prazo pela agência canadiana DBRS a 21 de outubro continua a ser uma data crítica pelo risco de cortar o rating para o nível de "lixo financeiro", retirando-a da situação de elegibilidade para as linhas de financiamento e programa de aquisições de títulos do Banco Central Europeu.

Em setembro, a agência Moody's aprecia a notação portuguesa no dia 2 e a S&P no dia 16. Ambas atribuem à dívida portuguesa a notação de dívida especulativa, tal como a Ficht que a manteve a 19 de agosto. Não sendo datas críticas, as decisões de setembro mantêm o que os analistas designam de "nervosismo do rating".

Até final da primeira quinzena de outubro, o governo de Lisboa terá de submeter a Bruxelas o ‘rascunho’ do orçamento de Estado para 2017 e um relatório sobre o andamento da consolidação orçamental no sentido do cumprimento das metas fixadas para 2016 recentemente pela Comissão Europeia.

  • Juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos continuam acima de 3%. Conservam trajetória de subida ao contrário de restantes periféricos do euro. Trajetória da dívida pública e crescimento medíocre pesam no 'sentimento' dos investidores