Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

IEFP desconhece denúncias e promete atenção a fenómenos de abuso e uso irregular de apoios em estágios

  • 333

Marcos Borga

O IEFP diz que “só pode atuar relativamente a casos concretos de irregularidades quando estes sejam detetados ou quando existir informação que habilite os serviços do Instituto a desencadear os procedimentos adequados”, em resposta à notícia de que há patrões a exigir a estagiários, que usufruem dos contratos de estágio profissional promovidos pelo IEFP, que devolvam a comparticipação obrigatória por lei da empresa

O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) garante estar atento a fenómenos de abuso e irregularidades com apoios em estágios profissionais por parte de empresas, e frisa não possuir qualquer denúncia sobre a matéria.

"O IEFP está atento a fenómenos de abuso e de utilização irregular de apoios que possam ocorrer nas medidas de política ativa de emprego, e em particular de estágios", esclarece fonte do instituto numa resposta enviada à agência Lusa esta segunda-feira.

No entanto, o IEFP recorda que "só pode atuar relativamente a casos concretos de irregularidades quando estes sejam detetados ou quando existir informação que habilite os serviços do Instituto a desencadear os procedimentos adequados", acrescenta a mesma fonte.

Alguns estágios profissionais promovidos IEFP estão alegadamente a ser alvo de fraude, com os jovens a serem obrigados pelas empresas a devolver parte do salário auferido, uma denúncia feita esta manhã pelo "Jornal de Notícias" através do presidente do Conselho Nacional da Juventude, que revela ser um esquema que configura pelo menos "uma autêntica lavagem de dinheiro".

Segundo a mesma fonte do instituto, "até ao momento não chegou ao conhecimento do IEFP qualquer denúncia ou informação concreta neste âmbito".

A mesma fonte revela que, de acordo com os normativos legais e regulamentares, as entidades promotoras devem pagar aos estagiários as bolsas de estágio e subsídio de alimentação, com a periodicidade mensal, não sendo aceitável a existência de dívidas a estagiários.

O IEFP é responsável pela aplicação desta política pública, pelo que, ao ter conhecimento de situações não conformes com o disposto na legislação aplicável por parte de alguma entidade promotora, nomeadamente no que se refere à comparticipação no pagamento do valor das bolsas aos estagiários, atua em conformidade, explicou a fonte.

Caso o IEFP tenha conhecimento da existência de irregularidades, através dos beneficiários ou por outra fonte, quanto ao pagamento das bolsas/subsídios, e caso estas venham a ser confirmadas, a entidade em questão tem um prazo de 30 dias para corrigir a situação antes de serem acionadas as vias legais.

As empresas, no limite, podem ver os seus projetos extintos, com a consequente devolução pelas entidades dos apoios financeiros concedidos pelo IEFP e o impedimento de a entidade aceder a novos apoios.

As entidades podem ainda, caso as irregularidades sejam cofinanciadas por fundos comunitários, ser avaliadas e auditadas por entidades nacionais e comunitárias competentes como a Inspeção Geral de Finanças, a Inspeção Geral do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Organismos de Auditoria da Comissão Europeia, entre outros.

A fonte do IEFP pede ainda que os estagiários (e o público em geral) se dirijam ao instituto para "resolução de eventuais problemas/dificuldades e para solicitar ou prestar esclarecimentos e informações".

O "Jornal de Notícias" faz manchete com este tema na sua edição desta segunda-feira, revelando que "há muitos patrões que não só exigem aos jovens estagiários que lhes devolvam a comparticipação da empresa no salário (que oscila entre 20 e 35%), como ainda lhes impõem que sejam eles a pagar a taxa social única (23,75%) que corresponde à entidade empregadora".

De acordo com as contas do jornal, dos 691 euros ilíquidos mensais que um estagiário com licenciatura recebe, até 400 podem acabar por debaixo da mesa nas mãos dos empresários que os contratam.

À exceção da Ordem dos Psicólogos, tanto as ordens dos engenheiros, advogados e arquitetos, como os sindicatos e Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, e ainda o movimento Precários Inflexíveis, todos afirmam desconhecer esta prática, de acordo com a notícia veiculada.