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Artesãos regressam a um negócio massificado

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Na Loja das Meias Pedro Miguel Costa (à direita), diretor-geral, fez uma parceria com a empresa de Luís Mercader (à esquerda), a Unua, para profissionalizar a produção de fatos e sapatos à medida

Nuno Botelho

Roupa, calçado e acessórios criados à medida estão a crescer. Lojas tradicionais ou novas marcas de retalho adaptam-se à procura

O vestuário e o calçado masculinos estão a voltar às origens. Depois da massificação generalizada em meados do século XX, a indústria da moda está a olhar mais para trás, para a roupa feita à medida, para explorar um novo segmento de negócio, que capitaliza a exclusividade do que é feito com moldes próprios, aproveitando as facilidades de produção e logística desenvolvidas com a moda padronizada. O resultado são peças exclusivas, não tão caras como os tradicionais alfaiates, nem tão baratas e impessoais como as marcas multinacionais em cadeia.

A centenária Loja da Meias há muito que se dedica à criação costumizada de fatos completos, blazers e camisas para homem, mas há poucos meses fez uma parceria com a Unua, empresa de origem espanhola que se dedica ao negócio da moda sob medida. “Há dez anos que temos o serviço por medida, mas que era feito por nós internamente. O que acontece é que sentimos cada vez mais que o serviço tem de ser dado de forma profissional e integrada, o que não acontecia”, explica Pedro Miguel Costa, diretor-geral da Loja das Meias, referindo-se à experiência rudimentar e pouco à vontade nesta matéria dos funcionários da rede de lojas que dirige. “A alfaiataria está a renascer porque as pessoas valorizam o feito à mão e a exclusividade”, argumenta.


Ao mais importante (clientes e pontos de venda), que a Loja das Meias já tinha, foi acrescentado o sistema da Unua, que gere a recolha de informação sobre as medidas, cores e materiais das peças a confecionar (sapatos incluídos, que custam cerca de €250), a produção (numa fábrica na Covilhã) e os tempos de espera. “Há duas formas de estar neste negócio: o pronto a vestir e o alfaiate, que tem no mínimo três provas. O homem de hoje em dia não tem tempo para três provas”, explica Pedro Miguel Costa, garantindo que, através deste sistema, a segunda ida à loja já é para levar a roupa pronta, num processo que demora cerca de um mês.

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