Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

“Renováveis voltarão a crescer na Europa”

  • 333

Lazlo Varro, economista húngaro, assumiu este ano um dos cargos mais relevantes da AIE, que durante 20 anos foi ocupado por Fatih Birol, agora líder da agência

João Lima

O húngaro Laszlo Varro assumiu este ano o cargo de economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), ocupando o lugar que durante duas décadas pertenceu ao turco Fatih Birol, agora presidente da instituição. Em entrevista ao Expresso na sede da AIE, em Paris, Laszlo Varro analisa a influência da China no mercado energético global e o cenário que aguarda a Europa

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Qual é o impacto das grandes economias, como a China e a Índia, na procura global de energia?

A China e a Índia são países grandes, mas têm condições económicas diferentes. A China consome quatro vezes mais eletricidade do que a Índia porque o interior da China foi totalmente eletrificado nos anos 90. Na Índia mais de 200 milhões de pessoas ainda não têm eletricidade. O consumo elétrico na China tem crescido muito rapidamente, mas pensamos que irá abrandar, enquanto na Índia está a acelerar.

Embora as duas situações sejam distintas, elas podem ter um impacto na procura energética global?

Não há dúvida de que têm uma influência, mas ela será exercida de forma distinta. Na China, se olharmos para o período de 2003 a 2013, o país foi responsável por 30% do crescimento económico mundial e por 60% do crescimento do consumo energético global. Nos últimos dois anos, a China ainda pesou quase 30% no crescimento do PIB mundial, mas apenas 8% do crescimento global do consumo de energia. Na China, a fonte energética mais importante é o carvão, mas nos últimos dois anos o consumo de carvão estagnou, com implicações significativas no mercado internacional. Grandes empresas americanas de carvão foram à falência, os impostos sobre o carvão são muito baixos, e isto acontece em grande medida devido à China. E, na China, há uma crescente preocupação ambiental. Em Pequim, o consumo de gás natural duplicou nos últimos quatro anos.

Leia mais na edição deste fim de semana