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Estado ainda pode perder mais de €4000 milhões com BPN

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Alberto Frias

Oito anos após a nacionalização, a Parvalorem, que ficou com os créditos do banco, tem ainda muitas perdas por assumir

Oito anos depois da nacionalização e seis anos após a sua privatização, a onda de choque do BPN nos bolsos dos contribuintes ainda não terminou. Até agora, o Estado já assumiu perdas de €5 mil milhões: €1,8 mil milhões no primeiro impacto orçamental em 2010 e os restantes €3,2 mil milhões acumulados entre 2011 e 2015, segundo cálculos do Tribunal de Contas. Mas pode faltar pagar ainda um valor significativo e que poderá ultrapassar €4000 milhões. Os três veículos criados para gerir os ativos do banco — Parvalorem, Parups e Parparticipadas — têm, neste momento, uma situação líquida negativa (o passivo é maior que o ativo) e isso representa perdas a assumir pelo Estado. A maior fatia pertence à Parvalorem, com €3,7 mil milhões, mas, se não conseguir recuperar nenhum dos créditos que tem em carteira, o buraco pode chegar a €4,3 mil milhões. No final, a fatura do BPN pode ultrapassar €9 mil milhões.

Era suposto ser assim tão violento para os contribuintes? Recuando na história, talvez não. Sempre se soube que haveria perdas. Quando o banco foi nacionalizado, em novembro de 2008, sabia-se que o Estado teria de assumir parte do buraco. Só não se sabia quanto. E, na verdade, as contas eram impossíveis de fazer à época. No fundo, o banco tinha um desequilíbrio entre ativo e passivo que foi suportado no imediato — embora com impacto orçamental mais tarde devido às regras —, mas existia um enorme volume de ativos e créditos cuja capacidade de recuperar não era possível determinar com exatidão. Assim, o Estado assumiu no imediato um custo e, à medida que a situação vai avançando, é obrigado a ir somando perdas.

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