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Juros da dívida em 3%

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos atingiram ao final da manhã 3,002% no mercado secundário. Os analistas falam de "nervosismo com os ratings" de Portugal

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos registaram 3,002% no mercado secundario pelas 11h50 de sexta-feira, depois de uma subida contínua desde a abertura da sessão, segundo dados da Bloomberg.

O regresso a 3% já ocorrera na quarta-feira ao final da manhã quando as yields das OT naquele prazo registaram 2,998%, após um efeito prolongado das declarações à Reuters do economista-chefe da agência de notação canadiana DBRS proferidas ao meio dia de terça-feira. A notícia da Reuters referia que "pressão aumenta sobre o rating de Portugal". O impacto negativo abrandou na quarta-feira depois do mesmo responsável da DBRS ter sublinhado à Bloomberg a posição da agência que tem sido de que se sente "confortável" com a notação não-especulativa da dívida portuguesa, não dando indicações de que a notação será cortada para 'lixo financeiro' na próxima decisão de 21 de outubro.

As yields fecharam em 2,89% no dia 17, mas subiram para 2,9% no encerramento de dia 18, e hoje prosseguiram a trajetória ascendente até ultrapassarem a barreira dos 3%. Em valores de fecho da sessão, o limiar dos 3% já não se registava desde 27 de julho.

Prémio de risco acima de 300 pontos base

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu esta sexta-feira para 308,2 pontos base, o equivalente a uma diferencial de mais de 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos. O risco tinha descido do patamar dos 300 pontos base a 8 de agosto. Na semana passada fechou em 284 pontos base. Em relação a sexta-feira passada, enquanto o risco de Espanha desceu 14 pontos base e o de Itália caiu cinco pontos base, o de Portugal subiu 24 pontos base.

Como referência, os máximos do ano até à data nas yields das OT a 10 anos registaram-se em 11 de fevereiro (acima de 4%) e em 16 de junho (perto de 3,5%). No primeiro caso o contágio do risco de Grexit nos periféricos da zona euro e a reação dos investidores internacionais à decisão do Banco de Portugal sobre a transferência de dívida sénior do Novo Banco para o BES "mau" (que motivou uma apreciação pela ISDA se se tratou de um evento de crédito); no segundo caso, a reação negativa no mercado da dívida europeia ao pico da vitória do Brexit nas sondagens no Reino Unido prévias ao referendo.

Quanto ao prémio de risco, o máximo do ano foi registado a 11 de fevereiro, chegando a 378 pontos base; depois do triunfo do Brexit no referendo de 23 de junho, o risco da dívida portuguesa subiu para 349 pontos base.

O actual stresse está ainda distante do verificado em fevereiro e junho.

Fitch pronuncia-se sobre Portugal

Os analistas do Commerzbank referiam ontem que permanece um "nervosismo com o rating" de Portugal. A agência Fitch pronuncia-se hoje sobre Portugal. Esta agência atribui à dívida portuguesa de longo prazo um rating especulativo e poderá publicar comentários negativos depois da divulgação de que a economia portuguesa continua a desacelerar, registando uma taxa de crescimento homóloga, em volume, do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,8% no segundo trimestre.

As Contas Nacionais Trimestrais completas só serão divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística a 31 de agosto, mas a estimativa rápida publicada na semana passada sobre o andamento da economia portuguesa apontava para duas características no segundo trimestre - o contributo positivo da procura interna para a variação do PIB diminuiu significativamente (de 1,9 pontos percentuais no primeiro trimestre para 0,5 pontos percentuais no segundo trimestre) e esse declínio não foi compensado pela melhoria do contributo da procura externa líquida (que saiu de terreno negativo em que se encontrava nos primeiros três meses do ano para 0,2 pontos percentuais no trimestre que findou em junho).

Segundo os indicadores coincidentes mensais calculados pelo Banco de Portugal para julho, divulgados hoje, a atividade económica melhorou, iniciando uma trajetória ascendente, mas o consumo privado continua em trajetória descendente iniciada em abril.

  • No prazo de referência, a 10 anos, os juros das obrigações portuguesas estão a subir há duas sessões, depois de um mínimo desde janeiro a 15 de agosto. Movimento de subida no mercado secundário regista-se também para as obrigações de Espanha, Irlanda e Itália

  • Depois de um pico de quase 3% durante a manhã desta quarta-feira, os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos caíram durante a tarde e fecharam em 2,88%, ligeiramente acima do encerramento na terça-feira. Responsável da DBRS deita água na fervura em declarações à Bloomberg