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Portugal coloca €1,3 mil milhões em dívida pagando juros mais baixos

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O IGCP realizou esta quarta-feira um leilão de Bilhetes de Tesouro a 3 e 11 meses colocando mais do que o previsto. Na emissão de menor prazo pagou juro negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou esta quarta-feira 1300 milhões de euros em dívida de curto prazo, ultrapassando o montante indicativo global para o leilão que variava entre 750 e 1000 milhões de euros.

Na emissão de Bilhetes do Tesouro com vencimento a 3 meses, em novembro de 2016, o IGCP colocou hoje 400 milhões de euros pagando uma taxa de -0,108%. No leilão anterior similar, em junho, o IGCP havia pago 0,075% numa colocação de 544 milhões de euros. Agora, conseguiu financiar-se a juros negativos. A procura foi 1,96 vezes superior à colocação, um rácio inferior ao registado no leilão anterior, quando chegou a 2,96.

A título comparativo, em uma operação similar realizada a 19 de julho, o Tesouro espanhol emitiu 581 milhões de euros a 3 meses pagando uma taxa de -0,327% e com uma procura 4,51 vezes superior ao montante colocado.

Na colocação a 11 meses, com vencimento em julho de 2017, a Agência portuguesa emitiu esta quarta-feira 900 milhões de euros pagando uma taxa de 0,007%, já muito próxima de terreno negativo. A procura foi de 2,31 vezes a colocação, um rácio superior ao registado na emissão anterior similar.

A Agência já colocou, este ano, por diversas vezes, dívida de curto prazo pagando juros negativos. No leilão imediatamente anterior, realizado em 17 de julho, o IGCP colocou BT a 6 meses pagando uma taxa negativa de -0,003%. A 3 meses havia pago -0,004% na emissão de BT de 20 de abril. No prazo a 1 ano, o IGCP já colocou dívida em janeiro pagando uma taxa negativa de -0,001%.

"As taxas baixaram nos dois prazos, seguindo a tendência das emissões que já estão no mercado. Não verificamos qualquer interferência do alerta feito esta semana pela agência de rating canadiana DBRS à dívida portuguesa. Os leilões de hoje foram positivos para o país que, mais uma vez, viu baixar o custo médio da dívida. O Estado aproveitou também a procura e as taxas favoráveis para emitir mais do que o previsto", refere Filipe Silva, diretor da gestão de activos do Banco Carregosa.

Esta semana, o Tesouro espanhol emitiu 986 milhões de euros em BT a 6 meses pagando uma taxa de -0,251% com uma procura de 3,86 vezes o montante colocado. A 12 meses, Espanha colocou quase 4 mil milhões de euros pagando -0,2% e com um rácio de 1,92 vezes o emitido.

  • No prazo de referência, a 10 anos, os juros das obrigações portuguesas estão a subir há duas sessões, depois de um mínimo desde janeiro a 15 de agosto. Movimento de subida no mercado secundário regista-se também para as obrigações de Espanha, Irlanda e Itália