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Juros da dívida regressam a descidas a meio da tarde

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Depois de um pico de quase 3% durante a manhã desta quarta-feira, os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos caíram durante a tarde e fecharam em 2,88%, ligeiramente acima do encerramento na terça-feira. Responsável da DBRS deita água na fervura em declarações à Bloomberg

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, viveram esta quarta-feira um dia volátil no mercado secundário da dívida soberana. Atingiram um pico pelas 11h (hora de Portugal) registando 2,998%, segundo a Bloomberg, culminando uma subida de 14 pontos base. A partir das 16h iniciaram uma descida contínua fechando esta noite em 2,88%, apenas três pontos base acima do encerramento do dia anterior.

A primeira parte da sessão da manhã ficou marcada pela repercussão negativa da conjugação da especulação em torno das declarações no dia anterior do economista-chefe da agência de notação DBRS com a previsão pessimista para o crescimento económico no segundo semestre do ano realizada pela Economist Intelligence Unity da revista The Economist na sua nota sobre Portugal.

As declarações de Fergus McCormick, da DBRS, à Reuters na terça-feira foram ‘lidas’ pelos analistas como apontando para a possibilidade de a agência canadiana retirar o grau de investimento à notação da dívida de longo prazo portuguesa na próxima revisão a 21 de outubro. A Reuters intitulava, ontem, o seu despacho de um modo claro: "Aumenta a pressão sobre o rating de Portugal, diz a DBRS". O Financial Times sublinhava hoje, após o pico perto de 3%, que a subida matinal foi “deflagrada” por aqueles comentários da única agência que não classifica a dívida portuguesa em “lixo financeiro”.

Uma reviravolta ocorreu à tarde. Perto das 16h (hora de Portugal), as yields das OT a 10 anos iniciam um processo de descida contínua, de 11 pontos base, e fecham em 2,88%.

A queda no mercado secundário poderá estar associada à imediata repercussão de novas declarações do economista-chefe da DBRS, agora à Bloomberg, perto das 16h, sublinhando que a agência se sente “confortável” com a atual notação de BBB (baixo) para a dívida portuguesa, ‘aliviando’ as preocupações geradas nos mercados financeiros com um eventual corte de notação em outubro. Uma tal descida de rating para nível especulativo deitaria a perder a elegibilidade da dívida obrigacionista portuguesa para o programa de compra de títulos públicos pelo Banco Central Europeu no mercado secundário e para uso como colateral pelos bancos.