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Juros da dívida portuguesa reaproximam-se de 3%

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No prazo de referência, a 10 anos, os juros das obrigações portuguesas estão a subir há duas sessões, depois de um mínimo desde janeiro a 15 de agosto. Movimento de subida no mercado secundário regista-se também para as obrigações de Espanha, Irlanda e Itália

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de terem descido para 2,69% a 15 de agosto, fixando um mínimo desde o início de janeiro deste ano, as yields das Obrigações do Tesouro (OT) no prazo de referência, a 10 anos, inverteram a trajetória na terça-feira e já subiram esta quarta-feira para 2,998% pelas 11h00 (hora de Portugal), regressando a níveis muito próximos de 3%. Em relação ao fecho de ontem, as yields subiram 14 pontos base. Em duas sessões subiram 29 pontos base, quase tanto quanto desceram desde 27 de julho, quando caíram abaixo de 3%.

Os analistas atribuem a subida das yields no mercado secundário a uma reação negativa à divulgação na sexta-feira passada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) da estimativa de abrandamento do crescimento em volume do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano. Segundo a estimativa rápida do INE, a taxa de crescimento do PIB, em volume, foi de 0,8%, em termos homólogos (ou seja, em relação ao mesmo trimestre do ano passado), uma décima inferior à registada no primeiro trimestre. Esta taxa de crescimento tem estado a desacelerar desde o segundo trimestre de 2015, estando, agora, em menos de metade da taxa de 1,7% registada no primeiro trimestre do ano passado. Em termos de crescimento homólogo no segundo trimestre de 2016, Portugal integra, na zona euro, um grupo de crescimento muito baixo, inferior a 1%, que inclui a Itália, Letónia e Estónia. Estes três países registaram taxas inferiores à portuguesa.

Na sequência da estimativa do INE, Fergus McCormick, economista-chefe da agência canadiana DBRS – a única que mantém o rating da dívida portuguesa de longo prazo fora de nível especulativo (vulgo, 'lixo financeiro'), - em declarações à Reuters na terça-feira ao meio dia refere o crescimento fraco de Portugal e a deterioração da situação levando a uma 'leitura' pelos analistas de que a agência poderia baixar a notação na revisão de 21 de outubro. Já esta quarta-feira, a Economist Intelligence Unit, a unidade de análise e previsão da revista britânica The Economist, apontava para uma tendência de crescimento fraco no segundo semestre do ano.

Na sexta-feira, a agência de notação Fitch procederá a uma análise da situação portuguesa. A DBRS pronuncia-se sobre Portugal a 21 de outubro, já depois do primeiro relatório trimestral que o governo de Lisboa terá de enviar à Comissão Europeia dando conta das ações que tem em curso para cumprir as recomendações orçamentais do Ecofin decididas a 9 de agosto.

Depois de ter colocado esta quarta-feira dívida de curto prazo, pagando juros negativos no prazo a 3 meses, o Tesouro português deverá ainda realizar um leilão de dívida a longo prazo até final do mês. Os analistas do Commerzbank referiam, na semana passada, que esperam para ver se a tendência de descida das yields, verificada até final da semana, era sustentável, podendo indicar colocações de dívida de longo prazo a taxas médias mais baixas do que nos leilões anteriores.

Contudo, o movimento de subida das yields no mercado secundário não é exclusivo de Portugal. O custo de financiamento da dívida a 10 anos está há três sessões consecutivas a subir para as obrigações de Espanha, Irlanda e Itália, depois das yields destas terem fixado mínimos históricos entre 10 e 12 de agosto. No entanto, a subida é menor em pontos base do que a verificada para Portugal e regista-se em patamares mais baixos, de 0,3-0,4% para a Irlanda, ligeiramente abaixo de 1% para Espanha, e pouco acima de 1% para a Itália.

Esta quarta-feira, depois de um mínimo de 0,914% a 11 de agosto, as yields das obrigações espanholas a 10 anos subiram para 0,995%. No caso das obrigações irlandesas naquele prazo, após um mínimo de 0,325% a 10 de agosto, as yields subiram hoje para 0,421%. Para as obrigações italianas, depois de um mínimo de 1,045% em 12 de agosto, as yields subiram esta quarta-feira para 1,13%.

A economia mundial foi esta semana sacudida pela divulgação de uma desaceleração brutal na economia japonesa no segundo trimestre do ano e pela confirmação de que a China está efetivamente a abrandar. O Japão cresceu, em termos homólogos, apenas 0,2% no segundo trimestre, depois de uma taxa de 2% no primeiro trimestre do ano. Os analistas esperavam uma taxa de 0,7%. Em cadeia, de um trimestre para o outro, a economia nipónica estagnou. Os dados para julho divulgados pelo organismo de estatísticas da China revelam que quer a produção industrial quer as vendas a retalho registaram taxas de crescimento abaixo das expetativas. Refira-se, ainda, que a inflação anual nos Estados Unidos caiu de 1% em junho para 0,8% em julho, uma desinflação que coloca a variação de preços ainda mais distante da meta de 2% da Reserva Federal norte-americana, o banco central.