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Portugueses alvo de novo acionista da Oi

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Nelson Tanure, acionista da Oi há um mês e meio, está a tentar afastar gestores da Pharol e quer avançar com ações judiciais

Conhecido por travar ‘guerras homéricas’ em disputas dentro de empresas de que se torna subitamente acionista, como conta a imprensa brasileira, Nelson Tanure está a replicar a estratégia na Oi, empresa na qual a PT entrou em 2010, investindo €3,7 mil milhões.

Tanure, detentor de 6,6% da Oi, quer destituir os gestores nomeados pela Pharol (ex-PT SGPS), e responsabilizá-los judicialmente pela situação da operadora brasileira — atualmente sob um pedido de proteção de credores e com uma dívida às costas de 65 mil milhões de reais (€18 mil milhões).

Já pediu a convocação de uma assembleia geral (AG) para o efeito e propõe como data o dia 8 de setembro. Tem inclusive nomes para substituir os administradores portugueses. Terá, porém, de aguardar o regresso de férias judiciais do juiz responsável pelo pedido de proteção de credores, previsto para 22 de agosto, para obter a necessária autorização e para que a Oi marque a reunião magna de acionistas.

Nelson Tanure entrou na Oi em julho. A 26 de junho, a revista brasileira “Veja” dizia que Tanure planeava “comprar ações em bolsa aos poucos, até atingir uma fatia capaz de agitar a negociação com os credores”. Conseguiu.

Há em curso, nas últimas semanas uma guerra de nervos e de comunicados entre a Société Mondiale Fundo de Investimento, de Tanure, e a Pharol, liderada por Luís Palha da Silva e detentora de 27% da Oi. A primeira ataca os gestores da Pharol e responsabiliza-os pela trágica situação da operadora. A segunda defende-se com a lei, diz que as acusações são “infundadas” e que Tanure está a extravasar os seus poderes como acionista e a tentar “tumultar” o processo de recuperação da Oi.

O tom de agressividade dos comunicados tem vindo a subir. No processo que deu entrada no Tribunal do Rio de Janeiro, a 9 de agosto, os representantes da Société Mondiale apelidam os gestores da Pharol de “malfeitores” e de “covardes”. Tanure é famoso por conseguir travar guerras societárias em que sai vitorioso: foi assim, diz a imprensa brasileira, na batalha travada com a TIM Brasil, em 2008, e com a PetroRio, empresa que tinha implodido em bolsa e no final de 2013 iniciou um processo de reestruturação.

O ataque contra os atuais gestores da Pharol, onde um dos principais visados é Rafael Mora — o antigo vice-presidente da Ongoing e um dos poucos homens da PT que se manteve na Oi depois de conhecido o ‘buraco’ provocado pelo investimento de €897 milhões na Rioforte —, ganhou visibilidade a partir de 29 de julho. Nessa data, a Société Mondiale pediu a convocação de uma AG da Oi para anular os acordos entre a operadora brasileira e a PT, renegociados em março de 2015. Quer também responsabilizar judicialmente a Pharol e os seus principais gestores e ainda os atuais e antigos administradores da Oi. Zeinal Bava (ex-presidente da PT e da Oi), Henrique Granadeiro (ex-presidente da PT) e Palha da Silva e Rafael Mora, respetivamente presidente e administrador da Oi, são alguns dos alvos. No rol dos visados está ainda o Banco Santander Brasil, que fez a avaliação dos ativos que esteve na base da fusão entre a Oi e a PT.

O novo acionista quer ver investigada e punida “a contribuição, comissiva ou omissiva, de cada um para a consumação dos danos causados à Oi”. Fora da mira de Tanure têm estado os antigos administradores brasileiros da Oi, responsáveis por décadas de gestão da operadora, como os nomeados pelos ex-acionistas Andrade Gutierrez — cujo antigo presidente e representante na Oi, Otávio Azevedo, está detido por causa da operação Lava Jato — e o grupo Jereissati.

A Oi carrega desde que foi privatizada, nos anos 90, uma pesada dívida, e a venda da PT Portugal à Altice foi já feita no contexto de uma redução do endividamento da operadora. Quando a PT entrou na Oi a dívida era de 30 milhões de reais, e em 2014, quando se deu o aumento de capital da fusão, ascendia a cerca de 50 mil milhões de reais. A Oi terminou o primeiro semestre com um prejuízo de €650 milhões.