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TAP acredita que os Estados Unidos vão ser “o novo Brasil”

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O desenho de cabina dos aviões John dos Passos e João Corte Real é uma antevisão dos 53 novos Airbus que chegarão a partir de finais 2017

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Com os novos aviões, a administração da companhia aérea prevê um acréscimo de 300 mil passageiros em 2017 e de 150 mil já em 2016 nos voos para o Atlântico norte

Já estão a voar, nas rotas para Boston e Nova Iorque, os dois novos aviões da TAP de modelo A330-200, que têm um desenho de cabina melhorado e seguem a linha dos 53 aviões “de última geração” encomendados pela transportadora portuguesa à Airbus para servir a operação dos Estados Unidos, e que vão começar a chegar a partir de 2017.

Batizados de John dos Passos e de João Corte Real, numa associação direta a “figuras portuguesas com ligação histórica ao Atlântico norte” (ver caixas), estes dois novos aviões representam para a TAP uma arma de peso na conquista de mercado norte-americano, “onde existe forte concorrência e uma grande exigência dos passageiros ao nível de qualidade e conforto do produto”, como frisa a transportadora.

O interior destes novos aviões foi desenhado a pensar nos passageiros dos Estados Unidos, tendo as cadeiras maior distância entre si e mais espaço para as pernas, na classe executiva ou na económica. As melhorias estendem-se às soluções de áudio e vídeo do entretenimento a bordo.

A TAP assume que os Estados Unidos são o seu “novo Brasil”, e que “o rumo encetado com a privatização tem a ambição de ter no Atlântico norte um novo eixo estratégico”, a partir do hub de Lisboa.

Segundo a companhia, “a diversificação de mercados revelou-se ainda mais importante num momento em que se verificou uma quebra de receita em mercados de grande importância para a TAP, como aconteceu no Brasil e em Angola”. No ano passado, a quebra de passageiros nos voos da TAP para o Brasil foi de 3,9% e nos voos para África de 1,9%.

Do lado dos Estados Unidos, os números são sempre a subir: até final de julho, a TAP transportou nestes voos, em 2016, 323 mil passageiros, mais 64% que em igual período do ano passado, e com os aviões a um load factor (ocupação) de 79,5%. Só em julho o crescimento na operação dos Estados Unidos cifrou-se em 74% (59 mil passageiros), o que já reflete a nova aposta da TAP com voos diários para Boston e Nova Iorque (aeroporto de JFK), iniciados a 11 de junho e a 1 de julho, respetivamente. Em 2016, a TAP espera ter mais 150 mil passageiros transportados nas rotas dos EUA que no ano passado, e em 2017 a previsão de crescimento deste contingente de passageiros já se eleva a 300 mil.

Os aviões John dos Passos e João Corte Real que já estão a servir os voos para Boston e Nova Iorque são uma antevisão do “produto melhorado” que serão os 53 novos aviões encomendados pela TAP à Airbus, e que vão chegar a partir de finais do próximo ano — um reforço de frota que foi decidido pela nova administração de Neeleman, também já com os olhos postos na operação do Atlântico norte.
48 aviões da frota atual vão ser renovados a partir de setembro
O pacote de 53 aviões encomendados à Airbus “vai trazer uma grande alteração em termos de frota, o que vai facilitar uma maior oferta e crescimento dos destinos servidos na costa do Atlântico norte, incluindo o Canadá”, adianta António Monteiro, diretor de comunicação da TAP.

O trunfo aqui será a nova linha de aviões NEO da Airbus, os A330-900 e os A321 LR NEO, que têm uma autonomia que permite fazer voos de médio e longo curso “a custos muito mais reduzidos” e possibilitando assim uma operação mais barata “para a costa do Atlântico norte e parte do Brasil”.

Além dos novos aviões, também parte importante da frota atual da TAP vai ser remodelada a partir de setembro, com vista a “introduzir melhorias significativas tanto no conforto, incluindo cadeiras, como no entretenimento, aproximando o produto global do que será servido com a nova frota que chega a partir do final de 2017”. Ao todo, serão intervencionados 48 aviões da frota da TAP (sete de longo curso e 41 de médio curso) para ter o mesmo desenho de cabina dos aviões que chegarão da Airbus.

A TAP tem também expectativas altas com o novo programa stopover, que permite aos passageiros que viajam dos Estados Unidos para a Europa ficar um a três dias em Portugal, sem custos acrescidos, e beneficiando de descontos em hotéis, restaurantes, museus ou até em tuk tuk. Segundo António Monteiro, “este produto visa criar o hábito nos passageiros norte-americanos de conhecer o destino Portugal, e vamos fazer uma grande divulgação deste programa nos Estados Unidos”.