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Economia com crescimento anémico: variação homóloga de 0,8% no 2º trimestre

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A estimativa rápida do INE diz que a economia cresceu 0,2% em cadeia e 0,8% nos últimos 12 meses. O desempenho não é entusiasmante

A economia portuguesa registou no segundo trimestre um crescimento em cadeia de 0,2% e homológa de 0,8%, de acordo com a estimativa rápida das contas nacionais divulgada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

No primeiro trimestre de 2016, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) registara um abrandamento, crescendo apenas 0,2% em cadeia e 0,9% face ao mesmo período de 2015.

Investimento em queda

No 2º trimestre, o INE regista a redução da procura interna como um dos fatores adversos na comparação homóloga. O consumo privado registou “um crescimento menos intenso” enquanto o investimento está em queda livre.

A procura externa “passou a ter um contributo ligeiramente positivo, refletindo
a desaceleração mais acentuada das Importações de bens e serviços”, dz o INE.

Na comparação com o 1º trimestre, o crescimento de 0,2% do PIB iguala a verificada nos dois trimestres anteriores. A procura externa líquida contribuiu positivamente, enquanto a procura
interna registou um contributo nulo.

Estimativas mais altas

As estimativas de centros de estudos e equipas de pesquisa de bancos variavam entre o pessimismo do Núcleo de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica (crescimento de 0,1% em cadeia e homólogo de 0,7%) e o otimismo do Grupo de Análise Económica do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), (0,6% em cadeia e 1,2% em termos homólogos).

Os analistas do Montepio antecipavam um um crescimento homólogo entre 1% e 1,2% e em cadeia entre 0,4% e 0,6%, suportado tanto pela "procura interna, como pelas exportações líquidas". A estimativa do BPI não divergia do Montepio.

Os analistas do banco antecipavam um crescimento do PIB em cadeia de 0,5% e homólogo de 1,1%, "refletindo um abrandamento da procura interna e uma recuperação da procura externa", em especial de produtos energéticos.

Economia estagnada

Com este desempenho do PIB, o NECEP sugere que "a economia está praticamente estagnada desde o segundo semestre de 2015". A equipa da Universidade Católica regista que "os riscos para a economia são agora predominantemente descendentes, destacando-se uma forte preocupação com a evolução do investimento, que voltou a recuar no início do ano, sugerindo que o processo de recuperação da economia portuguesa sofreu uma interrupção".

Para o conjunto do ano, o NECEP é também o menos otimista, estimando que o PIB avance 0,9%. O Governo estima um crescimento anual de 1,8%.

Alemanha surpreende

Esta sexta-feira o gabinete alemão de estatísticas anunciou que a economia do país cresceu no trimestre 0,4% em cadeia, um desempenho que duplicou as estimativas dos analistas. "A economia alemã continua a crescer", declarou o gabinete alemão. No trimestre anterior, o crescimento fora de 0,7%.

Ajustado de efeitos de calendário, o crescimento anual do PIB foi de 1,8% (1,9% no primeiro). Os economistas previam, na comparação homóloga, uma expansão de 1,4%.

A comparação trimestral mostra que os contributos positivos "advêm sobretudo da balança de exportações e importações", indica a nota de imprensa do gabinete alemão.