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Austrália bloqueia venda de rede elétrica a estrangeiros

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State Grid, o maior acionista da REN era um dos candidatos.O ministro do Tesouro australiano alega que as propostas de investimento "são contrárias ao interesse nacional"

A Austrália decidiu bloquear a venda de participações de controlo da sua rede elétrica Ausgrid a investidores estrangeiros da China e de Hong Kong. A justificar esta posição, o ministro australiano do Tesouro, Scott Morrison, alega, em comunicado, que as propostas de investimento em causa "são contrárias ao interesse nacional".

"A Ausgrid fornece serviços críticos de energia e comunicações a empresas e ao Estado", disse o ministro em declarações à imprensa, citadas pela agência Bloomberg que vê nesta posição um "indicador de que o protecionismo está a aumentar na Austrália".

O ministro admite, no entanto, rever esta posição, dando aos candidatos a oportunidade de apresentarem novas propostas até 18 de agosto, tendo já em consideração o problema do interesse nacional do país.

De acordo com fontes do processo citadas pela Bloomberg, os candidatos à compra de 50,4% da maior rede de distribuição australiana visados nesta decisão são a chinesa State Grid, que controla 25% da portuguesa REN, e a Cheung Kong, de Hong Kong.

A operação permitiria o controlo da rede durante 99 anos e, depois de conhecido o bloqueio australiano, a State Grid decidiu não comentar a decisão, enquanto o concorrente de Hong Kong considerou que a Austrália "deverá ter razões por trás do óbvio".

Peter Jennings, do Instituto Australiano de Política Estratégica, admite que as propostas de compra poderão vir a ser bem sucedidas se houver uma inversão na posição de controlo e a New South Wales mantiver uma posição maioritária de 50,4%. A Ausgrid está avaliada em 7,7 mil milhões de dólares (6,9 mil milhões de euros).

A decisão surge numa altura em que o Governo procura um equilibrio entre a necessidade de investimento externo para estimular o crescimento económico e as críticas crescentes da opinião pública à venda de interesses e infraestuturas estratégicas nacionais a estrangeiros, designadamente a chineses.

E a Australia não é o único país a considerar o problema do interesse nacional quando está em causa o investimento estrangeiro em infraestuturas consideradas críticas. A primeira ministra britânica, Theresa May também já adiou a aprovação de um novo reator nuclear em que a China General Nuclear Power Corp teria uma posição minoritária.