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Sindicato acusa administração da Soares da Costa de “mentiras e inverdades”

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A estratégia da construtora "sempre foi de cansar e iludir os trabalhadores", diz presidente do sindicato da construção. A Soares da Costa avançou esta terça-feira com um pedido de proteção de credores

Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção de Portugal, não desarma nas acusações à administração da Soares da Costa (SdC) a quem move há vários meses um combate cerrado contra os salários em atraso e a política da administração.

Joaquim Fitas, o presidente da construtora que esta terça feira entregou um Processo Especial de Revitalização (PER) para se proteger dos credores, já se queixou "de perseguição", sem perceber por que razão a SdC era a único alvo da fúria sindical quando muitas outras construtoras se encontravam na mesma situação.

Mentiras e inverdades

Ao Expresso, Albano Ribeiro diz que o PER não é uma boa notícia para os trabalhadores. A estratégia da SdC "sempre foi a de cansar e iludir os trabalhadores", recorrendo "a inverdades e mentiras". Por exemplo, entre as mentiras está o anúncio de que o despedimento de 500 operários seria financiado "com 18 milhões de euros transferidos do outro lado do Atlântico", recorda o sindicalista. As indemnizações nunca chegaram.

A administração "promete agora regularizar para a semana os salários em atraso, mas teremos primeiro de ver para acreditar", acrescenta.

Centenas rescindiram

Albano Ribeiro diz que se a SdC "tivesse uma carteira saudável, como diz, não precisava de entregar um PER". Na sua leitura, a grande maioria das construtoras que apresentam PER "ficam ligadas à máquina, antes de se extinguirem".

O sindicato sempre aconselhou os trabalhadores da SdC com salários em atraso a rescindirem o contrato "para acederem ao subsídio de desemprego".

Queixa-crime por difamação

A SdC já apresentou uma queixa-crime contra o sindicalista por difamação. Albano afirmara que a construtora desviara para uma obra dinheiro que se destinava ao pagamento de salários em atraso. “Se a administração tem dinheiro para mover uma ação contra o presidente do sindicato, também devia ter para pagar os salários em atraso”, comenta o sindicalista.

Segundo Albano Ribeiro, numa reunião com o sindicato a administração da SdC referiu-se a um depósito de 8 milhões de euros no Deutsche Bank "que daria para pagar todos os salários em atraso em Portugal e Angola".

Desafio ao presidente da SdC

O sindicalista remete uma posição mais detalhada e fundamentada sobre a realidade da SdC para uma conferência de imprensa que se realiza na sexta-feira, dia 12. Para essa conferência, vai convidar Joaquim Fitas, presidente da construtora. É um desafio "que lhe vou fazer, para exercer o contraditório. Já fui tantas vezes à sede da SdC, agora é a vez de ele nos visitar no sindicato", acrescenta Albano Ribeiro.

O Expresso tentou, sem êxito, registar o comentário de Joaquim Fitas que se manteve incontactável ao longo da tarde desta terça-feira.