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Construção. Soares da Costa pede proteção de credores

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Construtora entregou no tribunal um Processo Especial de Revitalização (PER).

A construtora Soares da Costa (SdC), controlada pelo empresário angolano António Mosquito (67%), entregou esta terça-feira no Tribunal de Comércio do Porto um pedido de Processo Especial de Revitalização (PER).

A administração da empresa diz em comunicado que “esta é a decisão que melhor protege os interesses dos trabalhadores, dos credores em geral, dos clientes e salvaguarda o futuro da empresa”.

A construtora sofre com a severa queda de procura em Portugal e Angola, os dois principais mercados em que opera. A SdC opera tambem em Moçambique e tem à venda a sua sucursal no Brasil. A dívida bancária rondará os 370 milhões de euros (70% em Portugal), sendo o BCP o banco mais exposto.

Redução de custos

A administração da Soares da Costa, presidida por Joaquim Fitas, "desenvolveu no último ano e meio um conjunto de diligências com vista à manutenção da atividade", acrescenta o comunicado. A construtora nota que avançou na "reestruturação interna, de métodos e de práticas, com ganhos financeiros muito significativos, tendo os custos de estrutura sido reduzidos em cerca de 30%".

Além, disso, lançou as bases "para um mais vasto plano de realocação e redução de recursos, condição fundamental para a viabilização da empresa". Finalmente, a administração regista um "incremento assinalável da atividade", tendo sido adjudicadas nos últimos meses diversas novas obras num valor total de 200 milhões de euros, distribuídas por Angola, Moçambique e Portugal.

Essas obras provam "que os ativos mais importantes da empresa – soluções de engenharia e a qualidade técnica dos seus quadros – estão ativos e são a garantia de que existe futuro".

SDC Investimentos sofre

Um efeito deste PER é anular o negócio de venda a António Mosquito dos 33% da SdC Construções que a SDC - Investimentos, do universo da família Fino, conserva.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta terça-feira, a SDC dá conta da apresentação do PER e que, por esse facto, "não estão reunidas condições que permitam a continuação das conversações conducentes à alienação de 33,3% à GAM Holdings, ou a sociedade por si detida". A SDC Investimentos dera conta das negociações para a venda no passado dia 14 de janeiro. Na altura, a SDC avisara que “o desfecho dessas conversações exige o consentimento de terceiros”, ou seja, dos credores bancários.

Depois das perdas colossais de 2014 (€53,4 milhões), a Soares da Costa terá fechado 2015 novamente com prejuízos.

A dois anos de celebrar o centenário, a SdC Construções, com sede no Porto e centro de decisão em Luanda, procura condições favoráveis para liquidar a dívida, depois de uma fase de profunda reorganização que incluiu o despedimento de 500 trabalhadores, uma parte dos quais já se encontravam há meses desocupados por falta de obras.

António Mosquito, presidente do Conselho de Administração (CA) renunciou ao cargo em novembro passado e não foi ainda substituído. Também António Gomes da Mota, vice-presidente não executivo em representação da família Fino, apresentara a demissão.