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Juros de Portugal abaixo de 2,9% e mínimos históricos no Reino Unido

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam esta quinta-feira abaixo de 2,9%, o que já não se registava desde meados de abril. O pacote de estimulos monetários do Banco de Inglaterra provocou uma descida significativa dos juros das obrigações britânicas para novo mínimo histórico naquele prazo. Contágio positivo nos periféricos do euro

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos caíram esta quinta-feira no mercado secundário da dívida para 2,87%, um recuo de sete pontos base em relação ao fecho do dia anterior e mais de meio ponto percentual abaixo do pico dos últimos cinco meses registado a 16 de junho aquando do auge das sondagens favoráveis ao Brexit. Uma taxa abaixo de 2,9% já não ocorria desde meados de abril.

O dia ficou marcado por um movimento generalizado de descida das yields nas obrigações a 10 anos dos periféricos do euro. A queda das yields foi de sete pontos base nos casos de Espanha, Irlanda, Itália e Portugal. As yields das obrigações gregas naquele prazo desceram dois pontos base e mantém-se acima do limiar dos 8%. A dívida grega continua a não ser elegível para o programa de aquisição de obrigações por parte do Banco Central Europeu.

As yields das obrigações alemãs a 10 anos, que servem de referência na zona euro, fecharam em -0,095%. Elas estão em terreno negativamente quase consecutivamente, desde meados de junho.

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu hoje para 296,7 pontos base. A 18 de julho atingiram um pico do ano acima de 355 pontos base.

A zona euro foi contagiada positivamente pela decisão do Banco de Inglaterra (BoE) em mexer no quadro de política monetária, descendo a taxa de referência para 0,25%, um novo mínimo histórico, e ampliando o programa de compras de ativos em 70 mil milhões de libras, incluindo, agora, uma novidade, a aquisição de títulos empresariais até 10 mil milhões de libras. Na conferência de imprensa, o governador do BoE, Marc Carney deixou em aberto a possibilidade de novos cortes na taxa de referência se vier a ser necessário para garantir que o Reino Unido não resvale para recessão em virtude do impacto do Brexit. Carney garantiu que, caso necessário, esse novo corte terá apoio maioritário do comité de política monetária do banco.

Em virtude deste anúncio expansionista de política monetária, as yields das obrigações britânicas, conhecidas pela designação de Gilts, no prazo a 10 anos, desceram significativamente no mercado secundário fixando um novo mínimo histórico em 0,639%. Foi a segunda maior descida diária registada este ano, na ordem de 20%, depois da ocorrida a 24 de junho, após terem sido conhecidos, de madrugada, os resultados favoráveis ao Brexit no referendo do dia anterior. As yields das Gilts a 10 anos estavam em 1,376% a 23 de junho e desceram abaixo de 1% a 27 daquele mês, iniciando uma trajetória de queda para mínimos históricos sucessivos.