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Banco de Inglaterra corta juros e aumenta programa de compras

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Os banqueiros centrais britanicos reduziram para 0,25% o juro de referência, um novo mínimo histórico, e ampliaram em 70 mil milhões de libras o teto do QE, avançando também para a compra de títulos de empresas. Bolsa da Coty dispara

Jorge Nascimento Rodrigues

O comité de política monetária do Banco de Inglaterra (BoE) decidiu cortar 25 pontos base na taxa de juro de referência, baixando-a para 0,25%, um novo mínimo histórico. Os banqueiros centrais britânicos não mexiam na taxa de juro desde março de 2009, quando a baixaram para 0,5%. Este corte era esperado pela maioria dos analistas financeiros e foi tomado por unanimidade.

O BoE adianta que entende o limite mínimo da taxa de juro num nível "um pouco acima de zero", o que já foi interpretado pelos analistas como deixando em aberto a possibilidade de novos cortes em reuniões futuras. A taxa de juro de referência para a zona euro fixada pelo Banco Central Europeu (BCE) está em 0%. Na conferência de imprensa que se seguiu, o governador Marc Carney sublinhou que, se a situação piorar em relação às previsões atuais, "uma maioria dos membros do comité de política monetária" apoiará novo corte em momento oportuno ainda este ano.

A reunião de política monetária decidiu, também, ampliar o programa de quantitative easing britânico em 70 mil milhões de libras esterlinas, o equivalente a 83 mil milhões de euros, subindo o teto do plano de aquisições de ativos de 375 mil milhões para 445 mil milhões de libras, o equivalente a mais de 527 mil milhões de euros.

A novidade na estrutura do QE britânico foi a decisão do comité de passar a incluir a aquisição de títulos de empresas, seguindo uma iniciativa similar do BCE. O objetivo de compras pode ir até 10 mil milhões de libras, o equivalente a 11,8 mil milhões de euros. O BoE justifica que a aquisição destes títulos poderá gerar mais estímulos do que o equivalente em aquisição de títulos do Tesouro.

Estas decisões de ampliação do QE não recolheram unanimidade. A ampliação em 60 mil milhões de libras do volume de aquisição de ativos que já faziam parte do QE recolheu 6 votos a favor e 3 contra. A inclusão de uma verba de 10 mil milhões de libras para a compra de títulos empresariais teve o apoio de 8 votos contra 1.

O efeito da decisão foi imediato na City. O índice FTSE 100 da bolsa de Londres que, pelas 8h30 (hora de Portugal), estava em terreno negativo, disparou após conhecidas as mexidas do BoE.

O ministro das Finanças britânico veio, de imediato, saudar a decisão do BoE. "O governador [do banco central] e eu temos as ferramentas que necessitamos para apoiar a economia agora que iniciamos este novo capítulo e enfrentamos os desafios que temos pela frente" depois da decisão do referendo pelo Brexit, disse Philip Hammond. Também a Confederação da Indústria Britância manifestou o seu apoio ao pacote do BoE, e pede, agora, que o governo de Theresa May faça a sua parte, avançando com um impulso orçamental no outono.

A título comparativo, o BCE já injetou 1,17 biliões de euros até final de julho no âmbito dos programas de compra de ativos e este plano deverá estender-se até março de 2017 a um ritmo atual de 80 mil milhões de euros por mês. O programa de aquisição de títulos empresariais foi iniciado pelo BCE a 8 de junho e já adquiriu 13,2 mil milhões de euros até final de julho.