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Ascendi. Mota-Engil recebe €360 milhões e Novo Banco €240 milhões com venda de ativos

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Ascendi vende oito concessões ao fundo Ardian por 600 milhões de euros. Mota-Engil sobe 6,5% em bolsa

É mais um grupo português que segue para domínio estrangeiro. A Mota-Engil e o Novo Banco fecharam a venda dos principais ativos da Ascendi ao fundo francês Ardian Infrastructure por 600 milhões de euros.

A operação era esperada e a sua concretização sofreu até atrasos devido à configuração adotada. Em vez da venda da Ascendi em bloco, foram transferidos oito dos principais ativos (à exceção da Lusoponte) em Portugal e Espanha.

Mota-Engil sobe em bolsa

O Novo Banco sempre disse estar vendedor da sua posição de 40% na Ascendi, a Mota-Engil admitia permanecer acionista e reduzir os seus 60% para uma posição minoritária.

O valor anunciado esta quarta-feira pelos intervenientes no negócio supera as previsões mais otimistas dos analistas. A Mota-Engil recebe pelo menos 360 milhões. Esta quinta-feira na bolsa as suas ações estão a subir mais de 6%, para 1,81 euros.

Ativos ibéricos

No comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Mota-Engil e o Novo Banco dão conta dos oito ativos ibéricos que transitam para a Ardian: as concessionárias das antigas Scut Beiras Litoral e Alta, Costa da Prata, Grande Porto, das subconcessões Pinhal Interior e Douro Interior e das concessões Norte e Grande Lisboa, assim como a Autovia de los Viñedos, em Espanha.

A concretização do contrato depende de algumas operações de reorganização societária e de diversas autorizações. O negócio incluiu ainda a alienação de diversas empresas de operação e manutenção das concessões, também detidas pela Ascendi.

A Ardian já investira 300 milhões na compra de metade do capital de cinco das concessões envolvidas nesta transação.

Operação pode chegar aos 653 milhões

A operação pode chegar aos 653 milhões. A Ardian Infrastructure “pagará um valor total de 600 milhões de euros, a que poderão ser adicionados mais 53 milhões de euros, por via de um mecanismo variável do preço”, de acordo com o comunicado do grupo de António Mota.

O Novo Banco também tomou uma posição pública sobre o negócio Ascendi referindo que a conclusão da operação “terá um impacto positivo” no seu rácio de capital.

"Esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do Novo Banco, que prossegue a sua estratégia de foco no negócio bancário", acrescenta o banco.

Lusoponte fica de fora

Também a Ardian anunciou em comunicado a assinatura de um acordo para comprar as ações da Ascendi Group na Ascendi II, a joint venture nas auto-estradas portuguesas onde já aplicara 300 milhões de euros.

A Ardian Infrastructure “assume o controlo dos cinco activos detidos até agora em conjunto e ainda de duas estradas portajadas da Ascendi”, refere o grupo.

A rede Ascendi é a segunda maior rede de auto-estradas em Portugal (a seguir à Brisa), com mais de 850 quilómetros ao longo de sete estradas portajadas.

De fora do negócio com a Ardian fica a concessão da Lusoponte e outros ativos no estrangeiro. O grupo Ascendi detém 50% da Rodovias do Tietê, no Brasil, 50% da Copexa, no México, e 40% da Estradas do Zambeze, em Moçambique. Em Espanha, possui 50% da Auvisa e 15% da concessionária da Autopista Madrid – Toledo.