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Bolsas. Ásia fecha novamente no vermelho. Europa sem tendência definida

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As bolsas da Ásia Pacífico registaram esta quarta-feira perdas pela segunda sessão consecutiva. O índice Nikkei 225 de Tóquio perdeu mais de 3% em dois dias. Investidores 'desapontados' com pacote de Abe. Eurostoxx 50 e PSI 20 flutuam em torno da linha de água. Volatilidade na Europa

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas europeias abriram esta quarta-feira no verde pelas 8h00 (hora de Portugal), mas, depois, têm estado a negociar com fortes oscilações durante a manhã. A volatilidade do Eurostoxx 50 (índice das cinquenta principais cotadas da zona euro) já subiu mais de 1%.

A tendência da sessão no Velho Continente e na City londrina ainda não está definida pelas 9h30 (hora de Portugal). O índice Eurostoxx 50 estava neutro. O PSI 20, na bolsa de Lisboa, flutua em torno da linha de água, com o BCP a subir 1,7%, depois deste titulo ter perdido 11% nas duas últimas sessões.

Recorde-se que, na terça-feira, o índice MSCI para a Europa fechou registando perdas de quase 0,9%, acumulando um recuo de 1,6% em duas sessões consecutivas. Os mercados financeiros europeus foram, ontem, marcados por uma derrocada de quatro bancos na bolsa de Milão, que perderam mais de 10% na sessão, e por descidas superiores a 4% em cinco bancos na bolsa de Madrid. Os analistas financeiros continuam a sublinhar o ceticismo em relação aos resultados, globalmente positivos, dos testes de esforço aos 51 principais bancos europeus, anunciados na sexta-feira passada.

A Ásia Pacífico fechou, de novo, no vermelho. Tóquio liderou, novamente, esta quarta-feira as quedas. O índice nipónico Nikkei 225 perdeu 1,9%; em duas sessões seguidas já recuou 3,4%. O TOPIX, outro índice da bolsa japonesa, caiu 2,17%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,79%, o índice ASX 200 de Sidney caiu 1,4% e o KOSPI de Seul recuou 1,2%. Nos mercados de fronteira (pré-emergentes) asiáticos, o índice das Filipinas caiu 1,9%.

Tóquio lidera quedas pelo segundo dia consecutivo

Os investidores na bolsa de Tóquio revelam 'desapontamento' face ao pacote de estímulos orçamentais aprovado na terça-feira pelo governo de Shinzo Abe e anunciado já depois do fecho da bolsa nipónica, segundo os analistas financeiros. O pacote é o terceiro maior em 24 anos, aponta para um impulso orçamental de 5,6% do PIB japonês, mas o 'dinheiro fresco' que poderá ter impacto no ano fiscal em curso e no próximo é de 1,5% do PIB. É o segundo 'desapontamento' dos investidores nipónicos em menos de uma semana, depois de uma reação similar às medidas 'modestas' anunciadas pelo Banco do Japão na sexta-feira passada.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) veio ontem dar uma mão ao governo e ao banco central japoneses ao referir que a sua direção executiva "concorda genericamente que uma melhoria ampla da coordenação de politicas é, agora, necessária para se atingirem as metas de crescimento, reflação [regresso continuado à inflação, a variações positivas do índice de preços no consumidor] e consolidação orçamental". O FMI publicou as conclusões gerais do relatório de apreciação da situação da economia nipónica ao abrigo do artigo IV do Fundo.

Apesar do Japão ser o primeiro país do G7 a enveredar por uma 'sinergia' efetiva entre as políticas orçamental e monetária no atual ciclo económico de retoma fraca e riscos crescentes, o efeito global das medidas não está a alterar positivamente o 'sentimento' dos investidores asiáticos.

O segundo grande país que poderá avançar para uma tal 'sinergia' é o Reino Unido, aguardando-se as decisões a serem comunicadas na quinta-feira pelo Banco de Inglaterra e a evolução da política económica e orçamental no outono que a nova primeiro-ministro Theresa May já anunciou serem de mudança em relação à orientação do governo anterior. Ontem, a primeira-ministra britânica presidiu à primeira reunião interministerial para definir uma nova "estratégia económica e industrial".

Recorde-se que o índice MSCI para a Ásia Pacífico caiu ontem 0,37%. A maior queda de terça-feira registou-se na Europa, com o índice MSCI respetivo a perder 0,88%, seguido do índice MSCI para os mercados emergentes, que caiu 0,65%, e do relativo aos Estados Unidos, que recuou 0,64%. O índice global MSCI perdeu 0,65%, fechando no vermelho pelo segundo dia consecutivo.