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Novo Banco vai ter um chairman

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José Carlos Carvalho

Com a entrada da nova administração o Novo Banco vai ter um modelo de governação com um presidente-executivo 
e outro não-executivo

Só em setembro estará concluído o processo de nomeação dos órgãos sociais mas o Expresso sabe que o Novo Banco vai passar a ter um presidente do conselho de administração (chairman) e um presidente-executivo (CEO). Esta será uma das mudanças que a entrada em funções de António Ramalho trará à gestão do banco. Atualmente o Novo Banco conta com um conselho de administração com seis membros, todos executivos.

Ramalho, que vai assumir os destinos do banco a partir de 1 de agosto em substituição de Eduardo Stock da Cunha, quer ter uma administração preparada para gerir o banco como se fosse para um mandato inteiro, isto apesar de a instituição estar em processo acelerado de venda.

Para já, a entrada de António Ramalho, que desde abril de 2012 passou a liderar a EP — Estradas de Portugal (e depois a Infraestruras de Portugal que resultou da fusão da EP com a Refer), deverá ser a única alteração imediata na composição do conselho de administração mas, em setembro, altura em que terminam os contratos anuais dos administradores, poderá haver mais mexidas. Os nomes, esses, estão guardados no segredo dos deuses, até porque primeiro tem de ser iniciado o processo de fit and proper (avaliação da idoneidade e competência) junto do BCE. Um dos elementos que será substituído é José João Guilherme que já fez saber não estar disponível para continuar após setembro.

Além de António Ramalho (em substituição de Stock da Cunha) e José João Guilherme, fazem parte da administração Jorge Cardoso, Vítor Fernandes, Francisco Cary e Francisco Vieira da Cruz.

A decisão sobre uma eventual venda do banco também está atrasada. A ideia era que o Banco de Portugal e o Governo concluíssem as negociações com os quatro interessados no banco o mais tardar até ao início de agosto, mas esse objetivo está comprometido. As propostas — apresentadas pelo BCP, pelo BPI, pela Apollo com a Centerbridge e pela Lone Star — apresentam diferenças grandes e é preciso analisá-las com tempo.

Esta semana o presidente do BPI, Fernando Ulrich, confirmou que o banco apresentou uma oferta pelo Novo Banco. “É verdade que o BPI assinou um acordo de confidencialidade com o Fundo de Resolução para estudar o dossiê do Novo Banco”, afirmou na conferência de apresentação de resultados semestrais. Sem querer fazer grandes comentários sobre o tema, o presidente do BPI admitiu que a oferta pública de aquisição (OPA) do espanhol Caixabank, em curso, não interfere com o dossiê Novo Banco.

Já o Santander Totta explicou que desistiu de apresentar uma proposta de compra do Novo Banco porque este banco não se enquadrava nos critérios do grupo, segundo o seu presidente, António Vieira Monteiro.

Inicialmente o Novo Banco tinha de ser vendido até agosto deste ano, mas esse prazo foi alargado por mais um ano. Há, no entanto, a expectativa de que até ao final do ano o Novo Banco passe a ter um novo dono.