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Juros da dívida. Portugal abaixo de 3%. Espanha e Itália com novos mínimos históricos

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Julho fechou com os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos abaixo de 3%, o que já não ocorria desde o início de abril. Alemanha regista taxas negativas até obrigações a 15 anos. Espanha, Holanda, Itália e Reino Unido fixaram mínimos históricos neste final de mês

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos regressaram a níveis abaixo de 3% no mercado secundário da dívida, o que já não se registava desde o início de abril. Fecharam esta sexta-feira em 2,94%, uma descida de sete pontos base em relação ao encerramento em 30 de junho.

Esta sexta-feira foi a última sessão de julho e ficou marcada por diversos mínimos históricos no prazo de referência a 10 anos.

As yields das obrigações espanholas (OE), naquele prazo, encerraram em 1,02%, uma descida de 11 pontos base em relação ao final de junho. Durante a sessão fixaram um mínimo histórico de 1,012%.

Também, as yields das obrigações italianas a 10 anos fixaram esta sexta-feira um mínimo histórico de 1,16% e encerraram em 1,17%, uma descida de 10 pontos base em relação ao final de junho.

As yields das OT e das OE, no prazo de referência, registaram picos mensais entre 15 e 18 de julho, tendo entrado em trajetória descendente nas sessões seguintes, descida que se acentuou após o conhecimento da decisão da Comissão Europeia, a 27 de julho, ao cancelar a aplicação de sanções aos dois países por incumprimento das metas de redução de défice orçamental excessivo.

Portugal ainda distante do mínimo histórico

A diferença de dinâmicas de descida no mercado secundário entre Portugal, por um lado, e Espanha, Itália e Irlanda, por outro, acentuou-se esta semana. Enquanto estes três últimos periféricos do euro fixaram novos mínimos históricos em julho, Portugal continua a uma distância significativa dos mínimos históricos ligeiramente inferiores a 1,6% registados nos dias 12, 13 e 16 de março de 2015 em valores de fecho.

A dívida portuguesa a 10 anos registou yields abaixo de 2% entre 26 de fevereiro e 16 de abril de 2015 no mercado secundário, mas o IGCP, na altura, não realizou leilões de OT naquele prazo no mercado primário. Emitiu a 25 de fevereiro, pagando 2,04%, e, depois, a 28 de abril, pagando 2,18%, os níveis mais baixos de taxas de remuneração em colocações de dívida a 10 anos.

Espanha registou, no prazo a 10 anos, yields abaixo de 1,3% entre 6 de março e 13 de abril no mercado secundário, e colocou OE naquele prazo a 12 de março e a 9 e 16 de abril, pagando taxas de remuneração de 1,02% (a mais baixa de sempre, até à data em leilões), 1,23% e 1,28% respetivamente.

Regressando à situação atual, a Holanda registou um mínimo histórico de -0,022% no prazo a 10 anos no fecho da última sessão de julho. Juntamente com a Alemanha e a Suíça forma um trio na Europa com taxas negativas naquele prazo.

Finalmente, as yields das obrigações britânicas a 10 anos, conhecidas por Gilts, fecharam julho em 0,685%, tendo descido durante a sessão para 0,683% um mínimo histórico. Recorde-se que antes de conhecidos os resultados do referendo britânico que deram vitória ao Brexit, as yields situavam-se em 1,38%.

As yields das obrigações irlandesas a 10 anos encerraram esta sexta-feira em 0,43%, onze pontos base abaixo do fecho de junho. São as yields mais baixas nos periféricos do euro, tendo a Irlanda descolado claramente dos níveis de financiamento da dívida de Espanha, Itália e Portugal. Fixaram um mínimo histórico de 0,41% a 13 de julho.

No caso da Grécia, as yields das obrigações a 10 anos continuam acima de 8%, tendo caído de 8,29% para 8,23% durante julho. A dívida obrigacionista grega continua fora do programa de aquisição de títulos públicos no mercado secundário por parte do Banco Central Europeu (BCE).

Alemanha com taxas negativas no prazo de 15 anos

As obrigações alemãs a 10 e 15 anos fecharam em terreno negativo. Para além da Suíça, apenas a Alemanha regista yields negativas naqueles dois prazos longos. A Áustria regista taxas negativas a 15 anos, mas não a 10 anos. O Japão fechou julho com yields negativas em -0,182% a 10 anos e, numa reviravolta de última hora, subiram para 0,009% no prazo a 15 anos, depois de ter registado yields negativas durante todo o mês.

No final de julho,são 11 os membros do euro que fecharam com yields negativas em diversos prazos na dívida obrigacionista, segundo dados da Investing.com. Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Holanda são as quatro economias do 'centro' da zona euro com taxas negativas em prazos mais longos. Não se incluem nesse 'clube', Chipre, os três Bálticos, Grécia e Portugal (que regista taxas negativas em Bilhetes do Tesouro a 6 meses). Fora da zona euro, Dinamarca, República Checa e Suécia são os membros da União Europeia que registam taxas negativas em alguns prazos da dívida.

Taxas negativas significam que o investidor se dispõe a ser penalizado para deter em carteira títulos soberanos de alguns países emissores, criando uma situação única para o financiamento da dívida pública dessas economias. Esta onda de taxas negativas na dívida de membros da zona euro é considerada uma consequência da política monetária do BCE e acentuou-se depois do Brexit.

Na zona euro, há sete países emissores de dívida soberana que registam em diversos prazos, desde 2 anos, yields negativas mais baixas do que a taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos pelo BCE (que está em -0,4%), excluindo essas obrigações da elegibilidade para o programa de compras do BCE. A Alemanha regista taxas negativas mais baixas do que esse limiar até ao prazo de 7 anos inclusive; a Áustria, Bélgica e Holanda, até 6 anos inclusive; a Finlândia até 5 anos; a França até 4 anos; e a Irlanda nos 2 anos. O que coloca ao BCE um problema neste programa do seu quantitative easing.