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Governador do Banco do Japão diz que há muita margem para atuar

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Já depois do fecho da bolsa de Tóquio, o governador Haruhiko Kuroda sublinhou que há margem para mais estímulos monetários, apesar das críticas que o BoJ estaria a ficar sem “munições” para enfrentar a inflação negativa e um crescimento económico medíocre

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco do Japão (BoJ) anunciou esta sexta-feira mexidas ‘modestas’ na política monetária, o que desapontou os mercados financeiros. Os banqueiros centrais nipónicos optaram por nem realizar um corte nas taxas negativas de remuneração dos depósitos dos bancos nem aumentar o volume de compra de obrigações do Tesouro japonês, mexidas mais 'agressivas' que eram esperadas pelos analistas.

No entanto, há margem de manobra para mais estímulos monetários tanto nas taxas de juro como na aquisição de dívida pública, deu a entender o governador Haruhiko Kuroda, na conferência de imprensa já depois do fecho da bolsa de Tóquio.

Kuroda procurou contrabalançar a reação imediata de "desapontamento" dos mercados financeiros em relação às decisões da reunião do BoJ anunciadas esta sexta-feira e deixar espaço para mais estímulos monetários futuros no quadro da "sinergia" com as políticas orçamentais do governo de Shinzo Abe que o comunicado do banco central hoje sublinhou.

“As taxas de juro negativas têm sido aceites pelos mercados e estão a funcionar adequadamente. O efeito do corte na taxa [de remuneração de depósitos, decidido em janeiro] é muito amplo, e já está a ser sentido nos mercados e na economia real. Tal como mostra a experiência na Europa, há mais espaço para cortar ainda mais as taxas em terreno negativo”, disse Kuroda. Recorde-se que, na zona euro, a taxa de remuneração dos depósitos está em -0,4%.

Também quanto à compra de obrigações do Tesouro pelo BoJ, o governador foi claro: “Não acho que tenhamos atingido os limites quer em termos de cortes nas taxas[de juro] quer na compra de obrigações soberanas”. Kuroda recordou que o banco detém 1/3 da dívida emitida pelo Tesouro nipónico, mas que “ainda estão por comprar 2/3”.

Sobre a relevância da ‘sinergia’ entre o banco central e o governo, Kuroda disse: “O Japão está a realizar uma combinação muito forte de política orçamental flexível com quantitative easing”.

No entanto recusou a ideia de uma "monetarização" da dívida governamental, ou seja de aquisição direta das obrigações do Tesouro nas operações de emissão. O BoJ compra títulos públicos no mercado secundário.