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BCP com prejuízo de 197,3 milhões passa testes de stresse

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Mário Cruz / Lusa

O Millennium bcp teve prejuízos no primeiro semestre após ter ter registado mais imparidades e provisões

O Millennium bcp registou um prejuízo de 197,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2016 após ter feito um reforço das imparidades do crédito e das provisões, tendo passado nos testes de stresse.

O BCP tinha prevista a divulgação de resultados do primeiro semestre para o dia 27 de julho mas adiou para hoje, para os anunciar em conjunto com os resultados dos testes de stress.

O prejuízo compara com um lucro líquido de 240,7 milhões de euros no primeiro semestre de 2015.

O BCP registou 618,7 milhões de euros de imparidade do crédito líquida de recuperações e ainda 198 milhões de euros de outras imparidades e provisões. Estes valores comparam, respetivamente com 463,7 milhões de euros e 91,6 milhões de euros no período homólogo do ano passado.

Excluindo os "itens não habituais", o BCP registou um lucro líquido de 56,2 milhões de euros no entre janeiro e junho de 2016 que compara com um prejuízo de 21,2 milhões de euros em igual período do ano passado, diz o BCP. Excluindo os mesmos efeitos, o resultado core do BCP aumentou 10,3% para 437,1 milhões de euros, "traduzindo-se na melhoria do 'cost to core income' em 4 pontos percentuais para 52,5%".

A Autoridade Bancária Europeia divulgou hoje apenas os resultados feitos a 51 grandes bancos. A divulgação da conclusão dos testes pelo BCP é feita voluntariamente.

"Resultados claramente positivos nos testes de stress do BCE - relevantes para limites mínimos de capital: rácio common equity tier 1 phased-in superior a 7% no cenário adverso, comparando com um valor de referência de 5,5% e com 2,99% nos testes de stress de 2014", diz o BCP em comunicado.

O banco destaca que dispõe de uma posição adequada de capital: "rácio common equity tier 1 de 12,3% de acordo com o critério phased-in. O mesmo indicador manteve-se em 9,6% em base fully implemented, o mesmo nível registado em 30 de junho de 2015 (valores estimados)".

O BCP reforçou "a cobertura dos NPEs (exposição a ativos como o crédito malparado) por provisões, 'expected loss gap' e colaterais, para 97% (91% na mesma data de 2015), suportando o objetivo de redução dos NPEs superior a 2 mil milhões de euros em dezembro de 2017".

O adiamento da divulgação dos resultados semestrais por parte do BCP deixou os investidores nervosos e as ações do banco chegaram a cair mais de 7% na sessão de Bolsa após ser conhecido o adiamento.

O rival BPI anunciou esta semana um aumento de 39% no seu lucro líquido entre janeiro e junho deste ano, para 106 milhões de euros.

BCP explica imparidades

A imparidade do crédito líquida de recuperações traduz "o registo de dotações adicionais que possibilitaram o reforço dos níveis de cobertura respetivos, induzindo nomeadamente a melhoria do rácio de cobertura do crédito vencido há mais de 90 dias por imparidades, ajustado do efeito das operações descontinuadas, de 86,1% em 30 de junho de 2015 para 93,9% em igual período de 2016".

As outras imparidades e provisões refletem "o impacto de 126,3 milhões de euros associados à desvalorização de fundos de restruturação empresarial, anteriormente mencionada, e não obstante o menor nível de provisões relacionadas com ativos recebidos em dação e com outros riscos e encargos".