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A Apple transfere resultados para a Irlanda? “É fraude”, diz nobel da economia

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E a legislação fiscal dos EUA? “É obviamente deficiente”, considera Stiglitz, conselheiro de Hillary Clinton

O nobel da economia Joseph Stiglitz apontou o dedo à atual legislação fiscal dos EUA que permite à Apple declarar uma parte significativa dos seus lucros no exterior, considerando-a "obviamente deficiente". Numa entrevista à agência Bloomberg, Stiglitz, conselheiro da campanha presidencial da candidata democrata Hillary Clinton, qualificou mesmo como "fraude" a declaração de uma parte significativa dos lucros da Apple numa unidade mais pequena no estrangeiro.

"O nosso sistema fiscal encoraja as empresa a manterem o seu dinheiro no estrangeiro, abrindo uma brecha através do que se designa 'sistema de transferência de preço'. Permite que mantenham o seu dinheiro no exterior e consigam até efetivamente escapar aos impostos", disse Joseph Stiglitz, numa entrevista a Tom Kneene, da Bloomberg TV.

O economista respondia a uma pergunta sobre as medidas políticas da candidata presidencial do Partido Democrata para incentivar empresas como a Apple a trazer os seus lucros acumulados no estrangeiro de volta aos EUA. De acordo com a legislação norte-americana atual, as empresas podem diferir o pagamento de impostos sobre rendimentos no exterior até os repatriarem para o país.

"Temos a maior coporação em termos de capitalização a nível mundial, ainda maior do que a GM (General Motors) no seu pico, mas afirma que os seus lucros têm origem numas centenas de pessoas que trabalham na Irlanda. Isso é fraude. Um sistema fiscal que encoraja as empresas americanas a manterem postos de trabalho no estrangeiro está errado e penso que podemos obter um consenso na América para mudar isso", disse Stiglitz.

De acordo com as contas da Apple relativas ao terceiro trimestre, 215 mil milhões de dólares (193 mil milhões de euros), num total de 232 mil milhões de dólares (209 mil milhões de euros) de lucros, foram declarados fora do país, refere a Bloomberg. Isto porque a Apple, tal como outras empresas norte-americanas, aproveita a lacuna existente no sistema fiscal dos EUA para declarar rendimentos tributáveis no exterior, designadamente na Irlanda, de forma a beneficiar de taxas mais favoráveis, neste caso o equivalente a um IRC de 12,5% contra os 35% dos EUA.

A Apple não comentou as declarações de Joseph Stiglitz, diz a Bloomberg, e, de acordo com o seu site, tem cinco mil trabalhadores na Irlanda.