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Valor da recapitalização da CGD depende da “ambição e rapidez” do plano de reestruturação

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José Sena Goulão / Lusa

Governador do Banco de Portugal garante que a Caixa Geral de Depósitos "satisfaz os rácios prudenciais”, mas "precisa de capital para fazer face a novos desafios"

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defendeu esta quinta-feira que “o valor da recapitalização da CGD depende do ponto de partida do balanço”. “Conforme a situação herdada, o custo de reestruturação varia e depende da ambição do acionista, quer pela profundidade das reformas, quer pela rapidez” da sua adoção.

Durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Carlos Costa não especificou as eventuais necessidades de capital do banco público, mas argumentou que “o valor de recapitalização da CGD que tem sido referido publicamente” – que oscila entre os 3 e os 5 mil milhões de euros – “depende da estratégia do acionista, da ambição que tenha e da rapidez com que queira prosseguir a reestruturação”.

As palavras de Costa foram proferidas durante a sua intervenção inicial, onde garantiu que a CGD “satisfez sempre todos os requisitos prudenciais aplicáveis até 2014”, em todos os exercícios de supervisão feitos pelo Banco de Portugal, “até à entrada em vigor do mecanismo único de supervisão”.

E sublinhou que a CGD ainda hoje “satisfaz os rácios prudenciais”. “A CGD está adequadamente capitalizada. Precisa de capital para fazer face a novos desafios e para fazer face a uma reestruturação”, defendeu.

Carlos Costa explicou ainda que depois da capitalização do banco em 2012 – no valor de 1650 milhões de euros; 750 milhões em capital, mais a emissão de 900 milhões em CoCos – “a CGD ficou obrigada a elaborar um plano de reestruturação para o período 2013-2017” e que “implementou a maioria do plano de reestruturação, nomeadamente na redução de custos”.

Mas, sublinhou, "os resultados da CGD ficaram abaixo do inicialmente previsto em grande medida por causa da descida da margem financeira" do banco, devido ao reconhecimento adicional de imparidades e à quebra dos juros.

Fazendo questão de deixar uma mensagem inicial de "serenidade" em relação ao banco público, Carlos Costa destacou ainda o facto de a CGD ter conseguido "acomodar" estes desempenhos abaixo do previsto e "garantido o cumprimento de requisitos prudenciais sem recorrer a novos aumentos de capital". "Apesar do cenário macro e taxas de juro terem sido menos favoráveis do que o previsto nas projeções e com impacto negativo no volume de crédito, nas imparidades e na margem financeira, a CGD conseguiu acomodar esses impactos", argumentou, deixando por isso um "elogio" à gestão do banco.