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Turismo: maioria dos portugueses não saiu de casa em 2015

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Hotelaria portuguesa prospera e conta com mais clientes, mais dormidas e mais receita. Mas a maioria dos portugueses não dormiu uma única vez fora da residência habitual

Se o leitor não realizou em 2015 qualquer viagem turística, não desespere porque está da lado da maioria. Só 43% dos portugueses declaram pelo menos uma escapadela turística com dormida fora da residência habitual, no inquérito sobre deslocações do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este registo traduz uma subida de 3,5% face a 2014.

As deslocações contabilizadas pelo INE totalizaram, em 2015, 19,1 milhões (+7% face a 2014). Uma ampla maioria (90%) ficou pelo espaço português. Destinos estrangeiros geraram 1,9 milhões de saídas. E as saudades dos familiares ou a visita a amigos estão na base da maioria das viagens (45% do total). O fator férias ou lazer motivou 42% dos portugues, gerando 8,1 milhões de viagens.

Hotelaria prospera

Em 2015, o negócio turístico registou um ano favorável em todos os domínios. A procura aumentou e as receitas globais, por aposento e quarto disponível, "aumentaram expressivamente".

Primeiro em volume. A rede hoteleira e afins acolheu 19,2 milhões de clientes que geraram 53,2 milhões de dormidas. Estes resultados traduzem aumentos de 10,9% e 9,1%, respetivamente.

As cadeias hoteleiras somaram 16,3 milhões de hóspedes (46,5 milhões de dormidas). Os turistas estrangeiros representam 71% da ocupação.

Ainda assim, o desempenho revela uma desaceleração face ao crescimento de 2014 - 12,6% nos hóspedes e 11% nas dormidas. A desaceleração é mais evidente no caso dos residentes porque os principais mercados emissores permanecem pujantes. Os mercados britânico (+9,7%) e alemão (10,1%) foram os que mais progrediram.

Estadias mais curtas

É sem surpresa que o INE verifica que os hotéis asseguraram a grande maioria (70%) das dormidas. O segmento aparthotel pesa 15%. A média de 2,86 noites acentua a tendência para estadias mais curtas e a predominância das city breaks nas opções dos turistas.

Os principais destinos turísticos - Algarve, Lisboa e Madeira - captaram três quartos das dormidas totais. A taxa de ocupação cama foi 47,3%.

Lisboa e Algarve com 62% das receitas

Agora, as receitas da hotelaria. No total, somaram 2,4 mil milhões de euros, uma subida anual de 13%. As dormidas contribuíram com 1,7 mil milhões, subindo 15%. Nos dois casos, os resultados superam os registados em 2014, revelando que a receita por hóspede está a subir.

Nos proveitos, Lisboa bate o Algarve por uma décima (31,4% contra 31,3%). A Madeira está a larga distância (12,8%).

O rendimento médio por quarto disponível ficou nos 39 euros (+13,4%), acelerando a valorização registada em 2014 (8,5%).

Capacidade instalada de 362 mil camas

O recenseamento do INE (julho de 2015) identificou 4339 estabelecimentos em operação, com 362 mil camas de capacidade instalada.

O segmento hoteleiro representa 80% da oferta. No turismo rural, operavam 1 298 unidades (21,8 mil camas). No alojamento local, 1450 estabelecimentos contam com 49,4 mil camas.

E no campismo? Em 2015, as dormidas subiram ligeiramente (5,8 milhões), distribuídas por 246 parques em atividade. O sector das pousadas da juventude (82 unidades) manteve a trajetória descendente (-1,8%), com 696 mil dormidas.

Balança favorável

As receitas turisticas em 2015 aumentaram 9,3%, cifrando-se em 11, 4 mil milhões e euros. Na balança turística, o saldo é favorável (7,8 mil milhões de euros) e melhorou 9,5% face a 2014.

Segundo os dados publicados pela Organização Mundial de Turismo, o movimento global em 2015 envolveu 1184 milhões de turistas internacionais, uma subida de 4,4% face a 2014.

O continente europeu acolheu mais de metade dos turistas em movimento (607,6 milhões). E África foi a única região do globo que registou um decréscimo no turismo internacional (-2,9%).