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"Quem torrou as imparidades não foram os bancos, foram os devedores", diz Matos

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José de Matos, presidente da CGD, defendeu que as imparidades não foram provocadas pelos bancos, mas pelos clientes que não pagaram. Miguel Tiago, deputado do PCP, aproveitou depois para dizer que alguns bancos andaram a distribuir capital pelos acionistas através de crédito, considerando que quem não pagou foi quem andou a torrar dinheiro

"Quem torrou as imparidades (perdas por crédito incobrável) não foram os bancos, foram os devedores. Foram eles que não pagaram", defendeu José de Matos, o presidente da Caixa, na Comissão Parlamentar de Inquérito. Não obstante, admitiu também que "os bancos tiveram alguma responsabilidade porque decidiram dar esses créditos". "A Caixa deve ter cometido alguns erros na concessão de crédito, mas é sempre inevitável cometer erros", frisou.

As afirmações de José de Matos mereceram pouco depois reparos de Miguel Tiago. O deputado do PCP defendeu que com este tipo de afirmações José de Matos estava a diluir a responsabilidades por todos e na verdade quem "torrou" os créditos foi quem não pagou, e a responsabilidade foi também a de quem os atribuiu. "Alguns bancos andaram a distribuir capital pelos acionistas, através da concessão de crédito", afirmou Miguel Tiago. Pagam todos em benefício de alguns, concluiu. O deputado quis saber quem são os principais responsáveis pelas imparidades, mas José de Matos não respondeu, e garantiu que não irá violar o segredo bancário.

BPN não é um problema

José de Matos esclareceu ainda que a Caixa para já não está a perder dinheiro com o BPN apesar de a dívida ser elevada, tudo porque as instituições ligadas ao grupo criado por Oliveira Costa tem estado a pagar juros. "Do ponto de vista financeiro não temos registado problemas. O BPN paga juros e paga taxas de juro bem elevadas. Como credor não me queixo deste crédito", afirmou o ainda presidente da Caixa.