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Presidente da CGD: “Não gostei que Passos Coelho falasse comigo pelos jornais”

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José de Matos

Marcos Borga

José de Matos critica declaração pública de Passos Coelho em 2015 sobre a sua preocupação por o banco não ter reembolsado a ajuda pública. E garante que nunca foi informado sobre qualquer intenção de privatizar o banco

"Vou ser muito direto: não costumo falar com o Governo através dos jornais e não gostei que tivesse falado comigo através dos jornais". Foi desta forma que o ainda presidente da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos, comentou as declarações do ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho, quando em 2015 este se mostrou publicamente preocupado com o banco por este ainda não ter, na época, reembolsado as ajudas públicas que tinha recebido.

As palavras de Matos surgiram na sequência de uma pergunta do deputado socialista João Paulo Correia, esta tarde, durante a primeira audição da comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da CGD.

Na mesma audição, José de Matos assumiu que preferia que a recapitalização feita em 2012 - no montante total de 1650 milhões de euros - tivesse sido "toda feita em capital público" e não através de obrigações convertíveis (CoCos). Mas recusou subscrever a ideia de que os montantes de recapitalização tinham sido insuficientes ou que este tinha sido um mau negócio para a CGD. "Naquela altura eu próprio achei interessante poder aparecer no mercado como o banco que menos recorreu ao financiamento", disse.

Sobre a eventual intenção da troika ou do anterior Governo PSD-CDS de privatizar a CGD, José de Matos foi taxativo. "Não tenho conhecimento que a troika quisesse privatizar a CGD. E em julho de 2011, quando aceitei o convite de Vítor Gaspar esse aspecto nunca me foi mencionado", garantiu.