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Fed deixa porta aberta para subida dos juros ainda este ano

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A reunião de política monetária do banco central norte-americano terminada esta quarta-feira decidiu não aumentar a taxa de juro. Mas deixa uma apreciação positiva sobre a conjuntura económica de curto prazo nos EUA. Riscos diminuíram, mercado laboral reforçou-se, economia cresce a ritmo moderado, dizem os banqueiros centrais em Washington

Jorge Nascimento Rodrigues

O banco central norte-americano decidiu não mexer nas taxas de juro. Apenas um dos dez membros do comité de política monetária da Reserva Federal (Fed), a presidente do banco regional de Kansas City, Esther George, votou a favor de uma nova subida da taxa de juro do banco central em 25 pontos base, para um intervalo entre 0,5% e 0,75%.

A Fed decidiu manter o atual intervalo da taxa de juro entre 0,25% e 0,50%, decidido em 16 de dezembro do ano passado, depois de sete anos com as taxas perto de 0%. Os analistas não esperavam uma decisão de subida, pelo que a atenção se focou na interpretação dos “sinais” que o comunicado da reunião poderia dar. Não se realizou nenhuma conferência de imprensa a seguir à reunião. A presidente da Fed, a economista Janet Yellen, só aparecerá em público, a 26 de agosto, no simpósio anual organizado em Jackson Hole, antes da nova reunião de política monetária a 20 e 21 de setembro.

A apreciação da conjuntura económica de curto prazo foi positiva. A Fed considera que “os riscos de curto prazo” diminuíram, que “o mercado laboral se reforçou”, que se registou “um aumento na utilização do [factor] trabalho em meses recentes”, que a "despesa das famílias aumentou fortemente" e que a “economia se expande a um ritmo moderado”.

Os analistas interpretam o sentido deste comunicado como deixando a porta aberta a uma decisão de subida dos juros ainda este ano. Em setembro, a Fed apreciará as novas previsões, pelo que uma subida dos juros não pode ser colocada de lado. Apesar de a Fed deixar em aberto subidas da taxa de juro ainda este ano, no mercado de futuros dessas taxas, as probabilidades implícitas de um novo aumento diminuíram para as próximas reuniões. Antes da reunião da Fed desta quarta-feira, a probabilidade, que era de 42% para um aumento de 25 pontos base na reunião de 14 de dezembro, desceu, depois de conhecido o comunicado, para 39,7%, segundo a ferramenta do CME Group, Countdown to the FOMC. As probabilidades para um aumento nas duas próximas reuniões de 21 de setembro e de 2 de novembro são, agora, de 18% e 19,3% respetivamente. Antes da reunião de hoje eram superiores a 25%. A reunião de 2 de novembro decorrerá apenas seis dias antes das eleições presidenciais, que se afiguram muito polarizadas.

O comunicado da Fed não faz qualquer menção ao Brexit, apesar de ser a primeira reunião depois do resultado do referendo britânico de 23 de junho.

Depois de uma abertura no vermelho em Wall Street e de flutuações acentuadas ao longo da sessão, o índice Dow Jones 30 passou a terreno positivo depois da divulgação do comunicado da Fed, mas o índice S&P 500 manteve-se abaixo da linha de água. Apenas o Nasdaq, da bolsa das tecnológicas, regista ganhos acima de 0,5%. As bolsas de Nova Iorque fecham às 21h (hora de Portugal). Ontem, o índice MSCI para os Estados Unidos encerrou a ganhar apenas 0,04%.

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