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CGD “não tem mais imparidades” para reconhecer

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Presidente da CGD admite alguns erros na atribuição de créditos, mas garante que os maiores problemas estão fechados. "O que tive de reconhecer que perdi já foi reconhecido"

O presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos, assumiu esta quarta-feira que o banco público “terá cometido alguns erros” na concessão de créditos, mas que essa situação era inevitável. “Se não quisesse cometer erros não dava créditos a ninguém”, disse, antes de assumir que as principais perdas relacionadas com os créditos mais problemáticos já foram assumidas.

“As contas de 2011 a 2015 têm as imparidades conhecidas pelos auditores e pelos supervisores. Não há mais imparidades. O que tive de reconhecer que perdi já foi reconhecido”, explicou José de Matos, admitindo no entanto que o banco irá ainda enfrentar dificuldades no futuro.

Questionado sobre a origem destas imparidades, durante a primeira audição da comissão de inquérito à recapitalização da CGD, José de Matos explicou que "o crédito em risco nas famílias é muito menor do que nas empresas".

A propósito das imparidades, o ainda presidente da CGD aproveitou a ocasião para criticar a ideia de que “os bancos torram imparidades”. “São as empresas e os particulares que não pagam”, contrapôs.

Pouco antes, José de Matos tinha também abordado de forma crítica a questão das participações da CGD noutras empresas. “Um banco comercial tem de ter as mãos livres e não ter participações financeiras a atrapalhar a concessão de créditos”, defendeu.

Sem querer apresentar exemplos concretos de empresas em que a CGD teve participações, José de Matos fez menção genérica a “uma quantidade” de situações que, se se tivessem mantido, poderiam ter conduzido o banco público “a uma situação insustentável”.

Sublinhando a orientação estratégica da troika no sentido de os bancos abandonarem as participações fora do seu core business, José de Matos defendeu ainda que “devia ser estritamente proibida a participação de bancos no capital de outros bancos”.