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Ulrich confirma interesse do BPI no Novo Banco

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Fernando Ulrich assegura que o BPI é sustentável sem o angolano BFA e confirma que levantou o dossiê relativo à venda do Novo Banco

O BPI apresentou um lucro de 105,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2016, um ganho de 39,1% face ao período homólogo do ano anterior, mas Fernando Ulrich, o presidente do banco, admite que muito provavelmente ainda não é este ano que irá voltar a pagar dividendos.

O gestor anunciou ainda que até ao final do ano irão sair do BPI 321 pessoas, ao abrigo do programa de reformas antecipadas.

"É verdade que o BPI assinou um acordo de confidencialidade com o Fundo de Resolução para estudar o dossiê do Novo Banco", afirmou Fernando Ulrich, na conferência de apresentação de resultados. Sem querer fazer grandes comentários sobre o tema, o presidente do BPI admitiu que a oferta pública de aquisição (OPA) do espanhol Caixabank, em curso, não interfere com o eventual interesse na compra do Novo Banco.

Ulrich afastou qualquer dramatismo face à possibilidade de a OPA do Caixabank falhar, tendo em conta que há acionistas a oporem-se à desblindagem dos estatutos do BPI, passo fundamental para que a oferta avance. "A nossa missão é gerir o banco. Se a OPA não for até ao fim, e já aconteceu mais do que uma vez (na história do BPI), a vida continua", frisou.

Ulrich sublinhou também que o BPI é viável sem o Banco de Fomento Angola, que contribui com 79 milhões de euros para o lucro do primeiro semestre.

Sobre a capitalização da Caixa, e os montantes que estão em cima da mesa (4 a 5 mil milhões de euros), Ulrich foi também parco em comentários, limitando-se a dizer que quer um banco público forte e sólido, porque isso é importante para a economia e o sistema financeiro português.

Com esta resposta, Ulrich afastou, de certa forma, a ideia de que poderá haver problemas de concorrência se a Caixa tiver uma injeção superior a 4 mil milhões de euros. "Não partilho as preocupações que dizem que o BCP expressou" em Bruxelas. E voltou a elogiar a escolha de António Domingues, ex-vice-presidente do BPI, para presidente da CGD. "Considero o dr António Domingues o português melhor preparado para desempenhar o papel que vai desempenhar. Trabalhei com ele 27 anos. O BPI tem uma equipa de quadros de alta qualidade", afirmou.

O BPI, foi revelado na apresentação das contas, está a ser afetado pela dificuldade da Oi em honrar os seus compromissos, com os credores, nomeadamente os obrigacionistas. O banco tinha em carteira cerca de 23 milhões de euros de obrigações da brasileira Oi, e decidiu registar nas contas uma imparidade no valor de 20 milhões, adiantou Fernando Ulrich.