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Preços aquecem nos hotéis do Algarve

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O aumento de turistas 
no Algarve faz prever hotéis cheios até outubro

Ana Brigida

Este ano, com a enchente de turistas alargou-se a época alta e as diárias estão com subidas de dois dígitos

Algarve cheio no verão não é novidade. Mas pela primeira vez desde os anos de crise, os hoteleiros estão otimistas por estarem a conseguir vender quartos com um aumento efetivo nos preços, em vez de encher as unidades à custa de tarifas congeladas, descontos e promoções.

“Há de facto uma recuperação do negócio via aumento dos preços. Desde janeiro estamos com 10,5% de ocupação a mais face ao ano passado, e em volume de vendas o aumento é de 16,5%”, adianta Elidérico Viegas, presidente da associação dos hotéis do Algarve (AHETA). “Estamos a recuperar os preços perdidos com a crise, que afetou muito as empresas do Algarve”.

Num ano de crescimento atípico de turistas, é a lei da oferta e da procura a funcionar. “Não houve aumentos especulativos, mesmo com a grande enchente que está a haver no Algarve”, frisa Nuno Ferreira Pires, administrador do grupo Pestana, que tem 12 hotéis na região (incluindo Pousadas), onde o aumento médio do preço dos quartos se cifra em 10%. “Estes aumentos não proíbem ninguém de vir ao Algarve, nomeadamente os portugueses. Tivémos até alguma contenção nos preços em agosto por causa do mercado doméstico”.

Nos próximos meses, até tocar o inverno, não se vislumbram as temidas ‘camas frias’ (sem ocupação). “O Algarve vai estar completamente cheio. Este ano sabíamos desde janeiro, pelo ritmo de reservas, que o Algarve ia encher, e não precisámos de fazer grandes descontos para atrair mercado internacional”, refere o administrador do grupo Pestana. “E Portugal precisava de uma correção de preços, que continuam abaixo de mercados de proximidade como Espanha”.

Também no grupo Vila Galé, com nove hotéis no Algarve, a recuperação de receitas deve-se a “reajustes nos casos em que os preços estavam mais baixos”, segundo Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo. “Na verdade, com a crise os valores desceram muito e agora estão a recuperar para níveis pré-crise, aproximando-se dos praticados em 2007 e 2008”. E com os novos canais de distribuição, como plataformas de reservas, “esta tendência não significa que o preço médio cobrado ao cliente tenha subido”.

Na cadeia NAU, com oito hotéis no Algarve totalizando 4500 camas (como a Herdade dos Salgados), as ocupações rondam 90% e o aumento do preço médio é de 10%. “Está a ser um ano excecional devido a uma série de congressos e eventos, as receitas no primeiro semestre subiram 40%”, avança Mário Ferreira, presidente executivo da rede. “Os preços a que estamos a vender são superiores ao estimado, porque o mercado assim o permitiu”. Um caso especial é o hotel Salgados Palace, transformado em ‘tudo incluído’, onde “um quarto que no ano passado custava €180 a €200 custa agora €400, mas a base não é comparável”.

Sem querer entrar no “espalhafato de falar do melhor ano turístico de sempre”, o presidente da AHETA sustenta que o Algarve está “na via da recuperação das receitas, não da subida de preços” — e que o sector “onde 60% das empresas têm capital próprio negativo” não é um mar de rosas. “Temos o nosso principal fornecedor de turistas confrontado com o ‘Brexit’, que ainda não se sabe bem o que será”, faz notar. “E temos de ser capazes de transformar este aumento da procura, por razões que se prendem com condições externas, num crescimento sustentável para o Algarve”.