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G20 avisa que política monetária não chega

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Os ministros das Finanças e banqueiros centrais do grupo das 20 maiores economias do mundo, desenvolvidas e emergentes, reafirmaram este domingo na China que usarão "todos os instrumentos de política - monetária, orçamental e estrutural" face a uma retoma "mais fraca do que o desejável" e a riscos que persistem sobre a economia mundial. Alerta sobre a indústria siderúrgica

Jorge Nascimento Rodrigues

A política monetária não chega, é preciso usar todos os instrumentos de política disponíveis, incluindo os do âmbito orçamental e as reformas estruturais, voltou a repetir o G20, num apelo à ação individual e coletiva das principais economias do mundo.

A retoma económica permanece “mais fraca do que o desejável”, os benefícios desse crescimento “têm de ser mais amplamente partilhados dentro de cada país e entre eles para promover a inclusão” e “riscos descendentes persistem”, concluiu a reunião de ministros das Finanças e de banqueiros centrais do G20, o grupo que reúne nove países desenvolvidos, dez emergentes e mais a União Europeia.

O G20 reuniu-se este fim de semana em Chengdu, na China, sendo o primeiro encontro internacional com esta dimensão de participação após a opção pelo Brexit no referendo britânico de junho e após o golpe de estado e contragolpe recentes na Turquia. Reino Unido e Turquia são membros do G20. O encontro de Chengdu é preparatório da cimeira de chefes de Estado e de governo do grupo dos vinte a 4 e 5 de setembro em Hangzhou, também na China.

É preciso mais 1 ponto percentual

A China detém este ano a presidência do G20 e tem sublinhado a importância de coletivamente se impulsionar o crescimento mundial. O ministro das Finanças chinês, Lou Jiwei, disse, em Chengdu, que “o crescimento mundial é atualmente 1 ponto percentual superior ao que se registaria se os países membros do G20 não tivessem adotado as políticas recomendadas para impulsionar o crescimento” e que, agora, “é preciso conseguir mais 1 ponto percentual [até 2018]” para se concretizar a meta definida na cimeira de Brisbane, na Austrália, em 2014.

As dificuldades da retoma económica global viram-se agravadas com novos riscos. Para além da desigualdade na distribuição dos seus benefícios (este tema tem tido projeção cada vez maior), da flutuação dos preços das matérias-primas, da inflação baixa que persiste em muitas economias, da volatilidade dos mercados financeiros, dos conflitos geopolíticos, do terrorismo e dos fluxos de refugiados, o Brexit (opção pela saída do Reino Unido da União Europeia) veio aumentar “a incerteza na economia global”, diz o G20 no comunicado final. Um risco específico sobre a sobrecapacidade da indústria siderúrgica mundial motivou um alerta (ver mais adiante).

Neste contexto, o grupo considera que os seus membros estão bem posicionados para “proactivamente” enfrentarem as consequências do Brexit e deseja que, no futuro, o Reino Unido permaneça como um “parceiro próximo” da União Europeia.

São necessárias políticas amigas do crescimento

Os ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 alegam que estão a usar a “flexibilidade da política orçamental” no sentido de uma política fiscal e de gasto público “mais amiga do crescimento”, incluindo dar prioridade a investimentos de alta qualidade, assegurando, no entanto, a sustentabilidade da dívida. Comprometem-se a realizar consultas em matéria cambial, pretendem evitar desvalorizações competitivas e afirmam, uma vez mais, rejeitar o protecionismo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial participam nestes encontros. Dois dias antes do início da reunião de Chengdu, os técnicos do FMI avançaram com um documento preparatório onde chamavam a atenção, logo no início, para o facto de que em alguns contextos “a política monetária está a ficar sobrecarregada” e que “uma coordenação política interna pode ajudar a tornar mais eficaz o apoio macroeconómico”. Nas economias desenvolvidas, o FMI insistia no que tem sugerido repetidamente: direcionar o gasto público para o investimento em infraestruturas, nomeando como destinatários da recomendação a Alemanha, Austrália, Canadá e Estados Unidos. Na atualização das previsões do “World Economic Outlook”, divulgada na semana que findou, o FMI apelava que as economias credoras (com posições líquidas de investimento internacional positivas) participassem ativamente na correção dos desequilíbrios globais. Entre as maiores em PIB, Alemanha, Arábia Saudita, Holanda, Japão, Suíça e Taiwan.

Na conferência de imprensa realizada após a reunião do Banco Central Europeu de quinta-feira passada, o seu presidente, Mario Draghi, alertou para a “sobrecarga” da política monetária e que “outras políticas têm de contribuir mais decisivamente”.

Risco na indústria siderúrgica

O G20 alertou para "a capacidade excedentária na indústria siderúrgica e em outras indústrias" reconhecendo-a como "um problema global que requer respostas coletivas". Chama a atenção que a política de subsídios a esses sectores com sobrecapacidade pode causar distorsões de mercado e contribuir para o agravamento do problema.

A reunião em Chengdu espera, por isso, que as economias com indústrias siderúrgicas participem na reunião organizada pela OCDE a 8 e 9 de setembro destinada a avaliar a possibilidade de criação de um Fórum Global. Um fórum que sirva de "plataforma cooperativa" de diálogo e de partilha de informação.