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“Sou contra a regulação estatal do empreendedorismo”

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João Rafael Koehler, Presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE)

Rui Duarte Silva

Ensinar o que é ter um negócio e quais os riscos de ser empreendedor é um dos objetivos de longa data da ANJE que a associação tem posto em prática e que agora deverá chegar às escolas primárias. João Rafael Koehler, que está a terminar o seu mandato à frente da associação, elogia a estratégia do Governo para o empreendedorismo mas apela a que ela não se sobreponha nem destrua o que já existe

Ouve-se falar cada vez mais no empreendedorismo como modelo de desenvolvimento económico, mas há de haver muita gente que não tem perfil para ser empreendedor. Como é que se desincentiva essas pessoas a não enveredarem por esse caminho?

É verdade que o empreendedorismo está na moda, mas a ANJE fala do assunto desde que foi criada, há 30 anos. Devia haver cada vez mais formação para quem tem ideias de negócio no sentido de haver uma cultura de bom senso e de prevalência dos interesses da empresa. Os fundos Revitalizar destinaram-se a startups mas também a empresas com situações financeiras urgentes por serem mal geridas. E eu pergunto se não deveria ser imposto por decreto que quem esteve na gestão dessas empresas em dificuldades devia sair. Temos um problema muito grande de gestão em Portugal.


Essa é uma falha do nosso ecossistema de empreendedorismo. Identifica outras?

O ecossistema empreendedor fortaleceu-se sem a intervenção do Estado, o que é um excelente sinal de maturidade e de que o mercado funciona. Temos uma rede extensa de incubadoras — algumas da ANJE, outras criadas pelas universidades, por particulares ou pelas autarquias —, atividades de coaching e mentoring, capitais de risco e fundos de investimento, embora ainda não tenhamos fundos especializados. Não temos, por exemplo, uma capital de risco vocacionada para o crescimento, para a internacionalização. O ecossistema funciona cada vez mais em rede e há um movimento de internacionalização e globalização que caiu em Portugal, de que a Web Summit é um exemplo, porque vai trazer a Portugal muitas empresas tecnológicas e investidores.

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