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Ondas gigantes geram novos negócios e atraem visitantes à Nazaré

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FRANCISCO LEONG/GETTY

Quatro anos depois do recorde de McNamara, as ondas gigantes geram novos negócios e atraem cada vez mais turistas curiosos com o fenómeno mediático que destronou o 'milagre' de Nossa Senhora da Nazaré

Quatro anos depois do recorde de McNamara, as ondas gigantes da Praia do Norte geram novos negócios e atraem cada vez mais turistas curiosos com o fenómeno mediático que destronou o 'milagre' de Nossa Senhora da Nazaré.

"A Nazaré não é um segredo escondido que apenas foi revelado em 2011", ressalva o presidente da Câmara, Walter Chicharro, lembrando que a vila foi retratada em tempos por fotógrafos (como Cartier-Bresson, Jean Dieuzaide e Stanley Kubrick, entre outros), que "a promoveram nos quatro cantos do mundo".

Pela importância do seu porto durante a época dos Descobrimentos, por um lado, pelo seu aspeto pitoresco, por outro, e, sobretudo, "pelas repercussões incalculáveis do milagre de Nossa senhora da Nazaré", que inspirou manifestações artísticas com base na lenda que atribui à virgem o salvamento de D. Fuas Roupinho, impedindo-o de cair do promontório quando perseguia um veado.

Mas foi em novembro de 2011 que, em termos de projeção mediática, o 'milagre' foi destronado. Garrett McNamara surfou na Praia do Norte a maior onda do mundo e 'Tó-Mané', um fotógrafo até então desconhecido, captou o momento que colocou a Nazaré em jornais, revistas e televisões de vários países do mundo, gerando vários milhares de visualizações, gostos e partilhas nas redes sociais.

"Projetou a Nazaré a um novo patamar", reconhece o autarca, que, apesar de não conseguir quantificar os resultados em volume de negócios, defende que a onda se transformou "num dos principais cartões-de-visita da Nazaré e de Portugal", como destino de ondas gigantes.

Exemplo disso é "a chegada em força do turismo ligado aos desportos aquáticos em todas as estações do ano", refere, sublinhando o reflexo dessa procura no interesse em torno do Forte de São Miguel Arcanjo, sede do projeto North Canyon, onde é possível ver vídeos e fotografias das ondas gigantes atualmente desafiadas por dezenas de surfistas de vários países.

Aberto ao público todo ano desde 2015, o monumento recebeu "aproximadamente 125.000 visitantes pagantes (1Euro) em 11 meses distribuídos por dois anos". A este indicador, Walter Chicharro soma os números do Ascensor (que liga a praia ao Sítio), que, "em 2014 transportou 640 mil passageiros, o máximo de sempre até essa data, e em 2015 atingiu 840 mil passageiros".

À boleia da onda, a Câmara apostou na marca "Praia do Norte" como fator de promoção assente na criação de pranchas de surf e de uma linha de 'merchandising' que vai desde o vestuário a 'souvenirs' à venda na loja do forte.

Está também prevista a abertura de uma loja da marca, na Marginal da Nazaré, que permitirá expandir a oferta e criar novas parcerias, uma da quais com o estilista Nuno Gama.

A imagem da onda tem igualmente gerado oportunidades de negócio para privados, quer ao nível de fabrico de pranchas e artesanato, quer de produtos turísticos como passeios de barco à zona do 'canhão', um desfiladeiro submarino com uma profundidade na ordem dos cinco mil metros e gerador das ondas grandes.

O próprio McNamara abriu na vila uma loja com a sua marca de vestuário de surf e a restauração e a hotelaria registam um aumento da procura nos meses de inverno, durante a época de ondas grandes que atrai milhares de curiosos.

Ainda assim, Graciano Dias, presidente da Associação Comercial, considera que "o facto de haver mais visitantes não se reflete necessariamente num maior volume de negócios" do comércio local, reivindicando "um estudo fundamentado e um plano estratégico de promoção" das ondas grandes como ativo turístico e económico.