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Mario Draghi quer mercado mais ágil para o malparado

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O problema do crédito malparado que domina a banca da zona euro, com destaque para Itália, leva “tempo a resolver”, mas ajudaria um quadro legal que facilitasse a sua transação. Intervenção pública é “muito útil”, mas cabe à Comissão Europeia decidir, sublinhou o presidente do BCE na conferência de imprensa desta quinta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

Um quadro legal para o crédito malparado que tornasse a sua transação mais fácil é um passo que Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), julga indispensável face à crise recente que tem vindo a observar-se no sector bancário da zona euro, com destaque para Itália. “Alguns passos já foram dados em Itália, mas é necessário mais”, sublinhou Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do conselho do BCE desta quinta-feira que decidiu não alterar a política monetária.

Acrescentou que para resolver as crises bancárias, a União Europeia dispõe de regras que permitem flexibilidade: "“Temos leis sobre ajuda estatal, temos a diretiva DRRB [de recuperação e resolução bancárias], essas regras contêm toda a flexibilidade para lidar com circunstâncias excecionais, mas o poder e a responsabilidade de as ativar compete à Comissão [Europeia]".

Evitar liquidações de bancos

Draghi não tem ilusões de que “pela sua própria natureza, o crédito malparado é um problema de resolução lenta”, mas ajudaria um mercado mais ágil e uma atuação atempada, incluindo um possível mecanismo público de último recurso “que seria muito útil”, em moldes a definir pela Comissão Europeia, e em particular pela Direção Geral de Concorrência. Particularmente num contexto em que há uma pressão para “evitar liquidações”. “Nós queremos evitar liquidações [bancárias]”, sublinhou.

O presidente do BCE acentuou, no entanto, que o problema dos bancos da zona euro, incluindo os sectores em destaque ultimamente pela negativa, como em Itália e Portugal, não é, globalmente, de insolvência. O sector bancário da zona euro está hoje melhor do que em 2012, disse. O rácio relativo ao que é conhecido como “Common Equity Tier 1” (o capital regulamentar com capacidade de absorção de prejuízos numa perspetiva de continuidade da atividade de uma instituição bancária) subiu de 9% em 2012 para 13% hoje em dia, adiantou o presidente do BCE. “Na questão da solvabilidade, os bancos [da zona euro] estão melhor, se não mesmo muito melhor, do que antes”, concluiu.

Problema não é solvência, mas rentabilidade

“Os bancos têm problemas de lucratividade”, referiu Draghi. O crédito malparado pesa sobre a rentabilidade dos bancos, o que, por sua vez, pesa sobre a capacidade de darem crédito à economia real, o que, no final da cadeia, prejudica o canal de transmissão da política monetária do BCE numa economia como a da zona euro que é depende do sector bancário.

Na sua mais recente atualização do “World Economic Outlook”, o Fundo Monetário Internacional incluiu a crise bancária derivada de “problemas herdados não resolvidos, em particular nos bancos italianos e portugueses”, no conjunto de riscos que ameaçam a zona euro e que se “tornaram mais salientes” depois do Brexit. Questionado sobre a questão, Mario Draghi retorquiu que “não diria ser um risco”, mas tem de ser resolvido no quadro de reformas estruturais indispensáveis.

  • Na primeira reunião de política monetária depois do Brexit, realizada esta quinta-feira, a equipa de Mario Draghi não mexeu nos juros. Política atual de estímulos poderá manter-se para além de março de 2017. Aguarda-se a conferência de imprensa pelas 13h30