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BCE quer Bruxelas e governos a atuarem “mais decisivamente”

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O aviso tem sido repetido pelo BCE e pelo FMI, entre outros. A política monetária não pode ser a única a estimular a retoma na zona euro. A equipa de Mario Draghi voltou a recordá-lo esta quinta-feira no mesmo dia em que o FMI faz apelo idêntico ao G20

Jorge Nascimento Rodrigues

“Outras áreas de política têm de contribuir muito mais decisivamente, tanto a nível nacional como europeu” para que os efeitos da política monetária expansionista seguida pelo Banco Central Europeu (BCE) sejam “colhidos completamente”, sublinhou a equipa de Mario Draghi na sequência da reunião desta quinta-feira, a primeira depois do Brexit.

Por outras áreas da política o BCE está a referir-se à política orçamental e de reformas estruturais no nível dos governos dos países membros da União Europeia e a política a nível central da Comissão Europeia e dos organismos europeus e da zona euro, como o Parlamento Europeu, o conselho do Ecofin e o Eurogrupo.

A ideia que tem sido repetida pelo BCE e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e “em muitas discussões de políticas tanto a nível europeu como internacional”, sublinhou o comunicado do banco central da moeda única, é que a política monetária não pode ser sobrecarregada no impulso a dar à retoma económica.

Outras entidades têm de atuar. O BCE elenca reformas estruturais viradas para aumentar a produtividade e melhorar a envolvente para a atividade empresarial, o lançamento de infraestruturas públicas adequadas, a melhoria das iniciativas de investimento em curso, incluindo a extensão do ‘plano Juncker’, o avanço na união do mercado de capitais, e a resolução do problema do crédito malparado no sector bancário da zona euro. Também a política orçamental deve apoiar a retoma económica, ainda que em conformidade com as regras da União Europeia. “Todos os países devem esforçar-se por ter uma composição mais amiga do crescimento nas suas políticas orçamentais”, recomenda o BCE.

A recomendação de Draghi e dos banqueiros centrais do euro surge no mesmo dia em que o FMI publicou um apelo aos membros do G20, que se reúnem este fim de semana, para urgentemente adotarem políticas que impulsionem o crescimento e evitem um abrandamento global da economia. Ainda esta semana, na atualização das previsões do “World Economic Outlook”, o FMI insistia numa exploração das sinergias entre todos os instrumentos de política (monetária, estrutural, orçamental) e no especial dever de “as economias credoras com espaço orçamental” tomarem medidas de fomento da procura interna, em virtude dos efeitos em cascata que terão no comércio internacional e na correção dos desequilíbrios globais.

  • Para além do Brexit e da crise bancária na zona euro, permanece o risco de um ajustamento brutal na China e diversas tensões políticas e geopolíticas e até problemas climáticos graves e epidemias. Os países credores deveriam desempenhar um papel essencial na retoma

  • O problema do crédito malparado que domina a banca da zona euro, com destaque para Itália, leva “tempo a resolver”, mas ajudaria um quadro legal que facilitasse a sua transação. Intervenção pública é “muito útil”, mas cabe à Comissão Europeia decidir, sublinhou o presidente do BCE na conferência de imprensa desta quinta-feira

  • Na primeira reunião de política monetária depois do Brexit, realizada esta quinta-feira, a equipa de Mario Draghi não mexeu nos juros. Política atual de estímulos poderá manter-se para além de março de 2017. Aguarda-se a conferência de imprensa pelas 13h30