Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BCE prevê juros a 0% ou mais baixos por um período longo

  • 333

Na primeira reunião de política monetária depois do Brexit, realizada esta quinta-feira, a equipa de Mario Draghi não mexeu nos juros. Política atual de estímulos poderá manter-se para além de março de 2017. Aguarda-se a conferência de imprensa pelas 13h30

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) não mexeu no quadro de política monetária na reunião desta quinta-feira, como era antevisto pelos analistas financeiros. Trata-se da primeira reunião do conselho do BCE depois da realização do referendo britânico a 23 de junho que se saldou pela vitória do Brexit.

A taxa de juro de referência mantem-se no mínimo histórico de 0% e a taxa de remuneração de depósitos dos bancos nos cofres do BCE permanece no mínimo negativo de -0,4%, decisões tomadas em março passado.

O BCE mantem, também, o volume mensal de 80 mil milhões de euros do seu programa de aquisição de ativos de diversos tipos, incluindo as compras de dívida pública no mercado secundário, iniciadas em 9 de março de 2015, e de dívida empresarial nos mercados primário e secundário, que começaram a 8 de junho.

A equipa de Mario Draghi reafirmou hoje que as taxas de juro poderão manter-se nos níveis atuais, ou mais baixos, por “um período longo de tempo” e “muito para além do horizonte das compras de ativos líquidos”. Os analistas têm especulado em torno da possibilidade da taxa de remuneração de depósitos poder ser cortada ainda estre ano em mais 0,1 pontos percentuais, descendo para -0,5%.

O BCE sublinha, também, que o programa de compras de ativos deverá funcionar até ao final de março de 2017, ou “para além, se necessário”, e em qualquer caso até que se observe um ajustamento na evolução da inflação da zona euro que seja consistente com a meta de abaixo mas próximo de 2%. Recorde-se que a taxa de inflação na zona euro melhorou ligeiramente em junho, subindo para terreno positivo, depois de dois meses com variações negativas. A taxa de inflação foi de 0,1% em termos homólogos em junho, segundo o Eurostat. Alguns analistas apontam que o programa pode ser ampliado de seis a nove meses.

Apesar de mais de 1 bilião de euros injetados pelo BCE na área da moeda única através dos programas de compra de ativos, incluindo 875 mil milhões de euros em aquisição de dívida pública dos estados membros, até final de junho, a inflação continua próxima de 0% e o crescimento anual do PIB da zona euro deverá registar uma trajetória descendente, de 1,7% em 2015, para 1,6% em 2016 e 1,4% em 2017, segundo as previsões mais recentes do Fundo Monetário Internacional, na sua atualização do World Economic Outlook realizada esta semana.

  • O problema do crédito malparado que domina a banca da zona euro, com destaque para Itália, leva “tempo a resolver”, mas ajudaria um quadro legal que facilitasse a sua transação. Intervenção pública é “muito útil”, mas cabe à Comissão Europeia decidir, sublinhou o presidente do BCE na conferência de imprensa desta quinta-feira