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Portugal abre concurso para abertura de interligação elétrica com Marrocos

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O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches

JOSÉ CARIA

Na apresentação do "BP Statistical review of World Energy", o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, anunciou a intenção do Governo como um passo crucial para reduzir a fatura elétrica

Para objetivos ambiciosos, projetos ambiciosos. Pode ser a legenda do anúncio feito hoje no grande auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa, para que o objetivo do Governo em atingir a independência de combustíveis fósseis até 2050 seja mais exequível.

Jorge Seguro Sanches revelou que se encontra em andamento um concurso para implementar uma interligação elétrica com Marrocos. É um objetivo antigo, "que Portugal, em conjunto com a Espanha, tenta fazer com a França há 20 anos", mas que agora vai conhecer um novo capítulo com um aliado carregado de "potencial energético."

Trata-se de um país que "importa 95% da energia que consome" e que pode ser muito importante como nosso parceiro, numa altura em "que temos um excedente de produção nos recursos energéticos." Além disso, está a realizar uma grande aposta nas renováveis, com vista a "ser um vendedor." Contudo, admite que ainda está longe deste ponto.

A intenção foi anunciada pelo secretário de Estado da Energia na apresentação do "BP Statistical Review of World Energy" que juntou uma plateia pronta a conhecer a nova versão de um estudo a que muitos se referem como a "bíblia de dados e estatística do setor". Nas conclusões desta 65ª edição, destaque para o aumento de consumo mundial de combustíveis com baixas emissões de carbono e para o crescimento de apenas 1% na procura global de energia primária, muito abaixo da média da última década.

Jorge Seguro Sanches revelou ainda que, em princípio, será aprovada uma lei amanhã para que, "na carga fiscal haja um caminho para que as empresas tenham condições semelhantes às de Espanha" na utilização de gasóleo, algo que já era uma "ambição de sempre". Ainda não completa, mas já no bom caminho na utilização.

Está igualmente em andamento um estudo preparatório para a instalação de centrais solares com capacidade de 100 megawatts no sul do país, para reforçar a capacidade de Portugal neste campo e dar mais um passo no objetivo de "atingir a independência de combustíveis fósseis até 2050." Num campo onde somos "referências mundiais" importa continuar a caminhada de forma decidida para a "descarbonização do setor energético."

A apresentação do "BP Statistical Review of World Energy" contou com uma mesa redonda moderada pelo diretor de informação do grupo Impresa, Ricardo Costa, e com duas personalidades de relevo no setor. Peter Mather, vice presidente da BP Europa, revelou que a empresa produzir 60% de gás até aos 2020, numa indústria "onde se tem que estar permanentemente a investir para não desaparecer" e fez questão de lembrar que "desperdiçamos mais do que produzimos."

Já o principal responsável económico da BP, Spencer Dale, afirmou que "os preços baixos dos últimos anos não são sustentáveis", e deixou a previsão que, sobretudo com o desenvolvimento do shale gas, "o gás natural será o combustível fóssil com maior crescimento nos próximos 20 anos."