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FMI insiste que países credores devem puxar pela economia mundial

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Para além do Brexit e da crise bancária na zona euro, permanece o risco de um ajustamento brutal na China e diversas tensões políticas e geopolíticas e até problemas climáticos graves e epidemias. Os países credores deveriam desempenhar um papel essencial na retoma

Jorge Nascimento Rodrigues

“Um recurso mais marcado a medidas de acompanhamento da procura interna, nomeadamente nos países credores que dispõem de margem de manobra, contribuiria para reduzir os desequilíbrios mundiais e dar um impulso ao crescimento mundial”, volta a recordar esta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI), na atualização do “World Economic Outlook”.

Esta recomendação dirigida às economias credoras tem sido constante por parte do FMI no decurso da atual retoma muito fraca após a crise financeira e económica. As economias credoras são as que registam uma posição líquida internacional de investimento positiva em relação ao Produto Interno Bruto, e o apelo do Fundo dirige-se às grandes economias que apresentam rácios elevados. A posição líquida mede em percentagem do PIB a diferença entre os ativos no estrangeiro detidos pelos residentes desses países e os ativos detidos por estrangeiros nesses países.

Para dados de 2014, as dez economias com posições líquidas mais elevadas em percentagem do PIB são Hong Kong, Singapura, Noruega, Taiwan, Suíça, Arábia Saudita com mais de 100%, a que se seguem Japão, Holanda, Bélgica e Malta. Para a Zona Euro, para dados de 2015, os rácios positivos registam-se, por ordem decrescente, para Bélgica (61,8% do PIB), Holanda (60,7%), Alemanha (49%), Malta (45%), Dinamarca (42%), Luxemburgo (31,6%) e Áustria (4,6%), segundo dados do Eurostat. Na União Europeia a 28 membros, apenas estes sete países têm rácio positivo. Portugal tinha um rácio negativo de 109,4% do PIB no final do ano passado.

Desse conjunto, as maiores economias credoras com mais de 500 mil milhões de dólares de PIB abrangem o Japão, Alemanha, Holanda, Suíça, Arábia Saudita e Taiwan.

Num contexto de riscos persistentes, o FMI apela a que os poderes públicos dos países desenvolvidos “se abstenham de depender excessivamente da política monetária” dos seus bancos centrais e, pelo contrário, “explorem as sinergias” de uma série de outros instrumentos, nomeadamente “medidas de acompanhamento da procura a curto prazo e de reformas estruturais capazes de redinamizar o crescimento a médio prazo”.

Para além do Brexit, cujo processo vai decorrer sobretudo no próximo ano e que poderá ser menos “ordeiro e contido” do que tem sido, o FMI aponta vários tipos de riscos à escala mundial. Da zona euro, há a herança não resolvida da crise bancária, em particular nos casos de Portugal e de Itália, diz o FMI na atualização publicada hoje. Na China pode ocorrer um “eventual ajustamento disruptivo”, em virtude do papel do crédito como motor do crescimento. Muitos países exportadores de matérias-primas, por seu lado, enfrentam problemas sérios de consolidação orçamental.

No plano dos riscos não económicos, o FMI chama a atenção paras “as divisões políticas no seio das economias avançadas” e para a ameaça de uma viragem em direção ao protecionismo. A que se somam tensões geopolíticas, guerras civis e terrorismo. O FMI junta ainda problemas ligados a fatores climáticos – como a seca na África oriental e do sul – e doenças como o vírus Zika na região da América Latia e Caraíbas.

  • Um abrandamento da zona euro mais acentuado vai registar-se em 2017 com o impacto diferido da incerteza trazida pelo Brexit e do stresse no sector bancário. Crescimento mundial foi revisto em baixa. Mas Brasil, China e Rússia registam revisões em alta. FMI avança com dois cenários pessimistas