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FMI coloca banca portuguesa entre os riscos para a economia mundial

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MANDEL NGAN/ GETTY IMAGES

Banca italiana igualmente referenciada. Brexit e China são outros riscos identificados

O legado de problemas no sistema bancário da Europa, em particular em Portugal e na Itália, é um dos riscos apontados pelo FMI para a economia mundial até 2017, bem como as divisões políticas nas economias desenvolvidas.

Na atualização do ‘World Economic Outlook’ divulgada esta terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) justifica a revisão em baixa das projeções com o resultado do referendo no Reino Unido, que ditou a saída do país da União Europeia, mas identifica uma série de outros riscos que podem ainda materializar-se, considerando que “se tornaram mais salientes”.

Por exemplo, a instituição liderada por Christine Lagarde refere “o legado de problemas por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses”.

O Fundo alerta que “a turbulência prolongada nos mercados financeiros e o aumento global da aversão ao risco podem ter repercussões macroeconómicas severas, incluindo através da intensificação dos problemas nos bancos, em particular nas economias vulneráveis”.

Outro risco identificado vem da China, considerando o Fundo que o facto de o crédito continuar a ser um motor de crescimento “aumenta o risco de um ajustamento eventual disruptivo” na China.

Além disso, o FMI refere que os exportadores de matérias-primas "ainda enfrentam a necessidade de [realizarem] ajustamentos orçamentais consideráveis” e que os mercados emergentes “têm de estar alerta para riscos à estabilidade financeira”.

A instituição aponta ainda riscos de origem não económica, alertando que “as divisões políticas nas economias desenvolvidas podem prejudicar os esforços para enfrentar desafios estruturais que persistem e o problema dos refugiados”, considerando que “uma mudança para políticas protecionistas é uma ameaça”.

Ainda no plano não económico, o Fundo alerta que “as tensões geopolíticas, os conflitos armados e o terrorismo” estão a penalizar as perspetivas em várias economias, em particular no Médio Oriente.

Outras preocupações incluem fatores climáticos, como a seca em África, e de saúde, como o vírus Zika na América Latina e nas Caraíbas.

Para enfrentar todos estes desafios, o FMI recomenda que as autoridades europeias e britânicas façam "uma transição suave e previsível" para um novo quadro de cooperação comercial que “preserve tanto quanto possível os ganhos comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia”.

Sublinhando que a baixa inflação e o fraco crescimento continuam a penalizar o crescimento na maioria das economias desenvolvidas, o Fundo apela a que, por um lado, haja um apoio à procura interna e, por outro, sejam feitas reformas estruturais para “revitalizar o crescimento de médio prazo” destas economias.